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SUS já gasta R$ 488 mi com obesidade

O excesso de peso e a obesidade no Brasil já consomem R$ 488 milhões por ano de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). O gasto para atender patologias relacionadas ao excesso de peso acendeu alerta no governo federal. O ministro da Saúde, Alexandre Pad

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O excesso de peso e a obesidade no Brasil já consomem R$ 488 milhões por ano de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). O gasto para atender patologias relacionadas ao excesso de peso acendeu alerta no governo federal. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou ontem, 19, portaria que cria a Linha de Cuidados Prioritários do Sobrepeso e da Obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS), que vai definir como será o cuidado, desde a orientação e o apoio à mudança de hábitos até os critérios rigorosos para a realização da cirurgia bariátrica, último recurso para atingir a perda de peso. Uma das decisões mais radicais é a redução de 18 para 16 anos a idade mínima para realizar cirurgia bariátrica.

Levantamentos mostram que o excesso de peso e a obesidade têm crescido no Brasil. De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada em 2011 pelo Ministério da Saúde, a proporção de pessoas acima do peso no Brasil avançou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, o percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8%.

Em Belém, 45,7% da população apresentou excesso de peso no levantamento feito em 2011. Deste total, 50,3% são homens. Na capital paraense, 13,2% da população já apresenta obesidade, com maior predominância nos homens.

A obesidade é um fator de risco para a saúde e tem forte relação com altos níveis de gordura e açúcar no sangue, excesso de colesterol e casos de pré-diabetes. “Este é o momento de o Brasil agir em todas as áreas, prevenção e tratamento, atuando com todas as faixas etárias e classes sociais, com um esforço para quem tem obesidade grave”, ressaltou o ministro Padilha, durante a apresentação da pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), que rastreou os gastos com obesidade no SUS.

Os custos com o tratamento da obesidade grave atingem hoje R$ 116 milhões, outro dado importante apontado pela pesquisa. Foram analisados dados de internação e de atendimento de média e alta complexidade relacionados ao tratamento da obesidade e de outras 26 doenças relacionadas, entre elas isquemias do coração, cânceres e diabetes.

Padilha destacou que a obesidade está mais presente na população com renda menor que três salários mínimos e com menos de oito anos de estudo. A mudança na idade mínima para a realização da cirurgia bariátrica foi incluída na Portaria do Ministério da Saúde para os casos em que há risco ao paciente. A iniciativa foi tomada com base em estudos que apontam o aumento crescente da obesidade entre os adolescentes, como a Pesquisa de Orçamento Familiar de 2009 (POF).

A POF verificou que na faixa de 10 a 19 anos o percentual de 21,7% dos brasileiros apresenta excesso de peso – em 1970, este índice estava em 3,7%. A avaliação clínica nos jovens entre 16 e 18 anos deverá constar no prontuário e deve incluir: a análise da idade óssea e avaliação criteriosa do risco-benefício, realizada por equipe multiprofissional com participação de dois profissionais médicos especialistas na área.

A idade máxima, que até então era de 65 anos, também foi alterada. Com a portaria, o que determinará para o indivíduo se submeter à cirurgia não será a idade, e sim a avaliação clínica (risco-beneficio), podendo ultrapassar o limite atualmente estabelecido.

A portaria prevê atividades desde a Atenção Básica para o cuidado do excesso de peso e outros fatores de risco que estão associados ao sobrepeso e à obesidade até o atendimento em serviços especializados. A atenção básica vai proporcionar diferentes tipos de tratamentos e acompanhamentos ao usuário, o que inclui também atendimento psicológico.

Redução de estômago exige consciência

Força de vontade e, principalmente, segurança emocional foram fatores determinantes para que Rodrigo Fel, hoje com 96 quilos, pudesse fazer a cirurgia bariátrica. Desde os 14 anos ele sofria com a obesidade. Ex-jogador de basquete, o peso dele ficava entre 65 e 70 quilos, até os 17 anos. Aos 27 Rodrigo já pesava 136 quilos. A mãe dele também fez a cirurgia de redução de estômago. Acompanhar a cirurgia da mãe fez com que Rodrigo pudesse conhecer as mudanças no hábito alimentar, o que proporcionou maior conscientização para as transformações psicológicas que iria enfrentar e o pós-operatório. “Eu me preparei bastante para fazer essa cirurgia. As pessoas olham hoje e me parabenizam, mas elas não fazem ideia do que eu passei e o quanto foi difícil”.

Com a cirurgia bariátrica há transformações na alimentação, processo de reeducação que está ligado a mudanças de comportamento. “É a readaptação a um novo estilo de vida, que muda drasticamente o volume de alimento que a pessoa coloca no prato. Então antes de fazer a cirurgia esse paciente precisa entender essa mudança. Se ele não tiver consciente da reeducação alimentar que ele irá fazer, isso não irá contribuir para que ele tenha uma boa qualidade de vida”, ressalta a nutricionista Letícia Holanda. Rodrigo perdeu 40 quilos. Voltou ao trabalho e leva uma vida mais saudável. “Hoje eu evito comer carne por que sei que a digestão é mais difícil, então prefiro peixe, saladas. Hoje a minha alimentação mudou, e com ela minha autoestima”, risos.

(Diário do Pará)

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