Em mais uma operação para obter apoio à campanha do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff cedeu ao comando do PR e trocou o titular dos Transportes. O novo ministro é o ex-governador baiano César Borges, que ocupava a vice-presidência de Governo do Banco do Brasil. Borges substitui Paulo Sérgio Passos, que assumiu Transportes no rastro da “faxina” administrativa promovida no primeiro ano do governo Dilma, em junho de 2011.
RESISTÊNCIA
Dilma resistiu o quanto pôde a trocar Passos. Depois de uma “novela” que durou mais de dois meses, porém, ela avisou o senador Alfredo Nascimento (AM), presidente do PR e ex-ministro dos Transportes, que só aceitaria a substituição se o escolhido fosse Borges. Apesar dos protestos da bancada na Câmara, que queria a indicação de um deputado federal, o ex-ministro Nascimento - que fora defenestrado dos Transportes em meio a denúncias de corrupção na pasta - fechou acordo com Dilma, provocando um racha no partido. Caso não fosse contemplada, a direção do PR ameaçava apoiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), possível adversário de Dilma, em 2014.
MUDANÇAS
Com a troca desta segunda-feira, sobe para quatro o número de mudanças no primeiro escalão. No último dia 15, a presidente fortaleceu o PMDB no governo e, a exemplo do que fez com o PR, também cedeu ao grupo do PDT que havia saído da Esplanada na esteira da “faxina”.
Na seara do PMDB, Dilma transferiu Wellington Moreira Franco da Secretaria de Assuntos Estratégicos para a Aviação Civil, um ministério poderoso em tempos de concessões de aeroportos e obras para a Copa de 2014.
EM MINAS
Depois, para facilitar a montagem do palanque eleitoral em Minas, ela escalou o deputado Antônio Andrade, presidente do PMDB mineiro, para assumir o Ministério da Agricultura no lugar de Mendes Ribeiro.
Além disso, pressionada pela cúpula do PDT, ela nomeou o secretário-geral do partido, Manoel Dias, para o Ministério do Trabalho, antes ocupado por Brizola Neto.
Dilma se reuniu nesta segunda-feira com Borges e Nascimento, no Palácio do Planalto, e selou a mudança. O ex-governador e ex-senador baiano ficou apenas dez meses na vice-presidência do Banco do Brasil. Agora, ele terá a missão de unir o partido para a campanha da reeleição.
OFERTA
O PR tem a oferecer a Dilma um dote de 1 minuto e 10 segundos por bloco, na propaganda política. No ano passado, o partido não conseguiu negociar com a presidente a substituição de Passos e apoiou o ex-governador José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, contra Fernando Haddad (PT), que acabou eleito. Desde que Nascimento caiu, em 2011, o PR resolveu ficar “independente” nas votações do Congresso, embora seja integrante da base aliada. Passos também é filiado ao PR, mas nunca teve trânsito no partido e sempre foi considerado da “cota pessoal” de Dilma.
(Agência Estado)
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