Felipe Martins, 15, é um adolescente como qualquer outro de sua faixa etária. Estudante do 2º ano do Ensino Médio, pretende cursar Medicina e, quando pode, aprecia uma partida de futebol. Em seu dia a dia, precisa apenas tomar cuidado para não se machucar e deve comparecer três vezes por semana à Fundação Hemopa para tomar sua dosagem de “fator”.
O medicamento serve para tratar a hemofilia. Ele é um pequeno exemplo de que quem sofre deste mal pode levar uma vida normal. Hoje, 17, no Dia Mundial da Hemofilia, o Hemopa realiza uma programação para os 368 pacientes ativos acompanhados pela fundação.
No Brasil, são 10.381 portadores de hemofilia. A doença se origina de um defeito da coagulação sanguínea. O corpo, depois de uma lesão, depende da coagulação do sangue para parar o sangramento e evitar equimoses (manchas roxas) e a hemorragia dentro dos músculos e articulações. O hemofílico não coagula o sangue.
DIAGNÓSTICO
No caso de Felipe, o diagnóstico veio quando a mãe, dele, Nelma Martins, ainda estava no sexto mês de gravidez. A dosagem dos medicamentos varia de acordo com o organismo do paciente e da intensidade das atividades físicas.
A assistente social do Hemopa Cristina Santos ressalta que existem dois tipos de hemofilia: a A e a B. No Pará, a mais comum é a do tipo ‘A’, com 286 pacientes ativos no Hemopa. Um dos temas a serem discutidos no evento hoje é o tratamento que vem sendo oferecido aos hemofílicos e as mudanças que precisam ser feitas. “Já houve evolução, antes o ‘fator’ (medicamento) era dado apenas quando o paciente sangrava. Agora, ele é dado em doses profiláticas (preventivas)”, disse.
Os medicamentos são chamados de “fator” porque eles devem funcionar como fator coagulação em caso de sangramentos dos pacientes. Ao longo do dia, está previsto um ciclo de três palestras que serão abertas ao público para que se possa esclarecer mais sobre a doença e como é o tratamento.
A mãe de Felipe, Nelma, vai aproveitar a ocasião para reunir um grupo e formar uma associação que possa atuar na garantia de políticas públicas para os portadores de hemofilia, entre elas a criação de uma carteirinha nacional que identifique os pacientes, para o caso de eles precisarem de um atendimento emergencial e serem tratados adequadamente.
(Diário do Pará)
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