A declaração pública da atriz Angelina Jolie que fez mastectomia (retirada completa da mama) para se prevenir contra o câncer de mama chamou a atenção das mulheres para os cuidados que elas devem tomar para se precaver contra a doença.
No Pará, o câncer de mama é a segunda maior incidência da doença entre o público feminino, fica atrás somente do câncer de colo de útero. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) apontam que de 2000 até 2012, 1.974 mulheres foram diagnosticadas com a doença. Deste total, 492 estavam em tratamento, em 2012, no Hospital Ophir Loyola, referência em oncologia. As chances de cura aumentam se o diagnóstico for precoce.
A descoberta, por Jolie, do alto risco de contrair a enfermidade foi constatada após um exame genético que revelou que ela tinha 87% de chances de ter um tumor no seio e 50% no ovário. No Brasil, este exame não está disponível na rede pública de saúde, segundo informa o mastologista e oncologista do Hospital Ophir Loyola, Celso Fukuda. “O exame é caro. Pode custar de R$ 6 mil a R$ 13 mil reais e nem todo mundo tem acesso a ele. Todo material utilizado para o diagnóstico é importado”, ressalta.
O fato da mãe da atriz ter falecido vítima de câncer contribuiu para que ela fizesse o exame. “É importante as pessoas saberem que 80% dos casos do câncer de mama não estão relacionados a fatores genéticos”, informou Celso.
Por isso, o médico recomenda que toda mulher, a partir dos 30 anos de idade, faça anualmente exames para verificar como está a saúde. “Caso não haja antecedentes de casos de câncer na família, os exames podem começar a ser feitos somente a partir dos 40 anos de idade. Agora, se ela tiver sofrido mutação genética, aí os cuidados precisam começar antes mesmo dos 30 anos de idade”, disse o oncologista.
A dona de casa Elizabeth Marques, 62, passou a vida inteira sem se preocupar em fazer o exame até que, em 2010, foi diagnosticada com câncer de mama. “Começou com um nódulo, depois furo e aquele ferimento foi ficando com mal cheiro – eu sentia até vergonha de me aproximar das pessoas. Então, fui ao médico e descobri que era câncer”, relatou.
A religiosidade lhe ajudou a superar a notícia da doença e o anúncio de que iria ter que retirar a mama esquerda. “No começo eu fiquei sem chão, mas tive apoio do meu marido e da família”, frisou. Ela ainda passou por sessões de quimioterapia.
Hoje, curada, ela não sente vergonha de seu corpo e afirma que não pretende fazer nenhuma cirurgia de reconstituição do seio. “Eu superei a doença e entendi que foi uma provação de Deus”, exaltou.
Depois do caso, as irmãs de Elizabeth costumam fazer periodicamente exames para verificar os riscos de contraírem a doença.
Celso Fukuda ressalta que os principais exames que diagnosticam o câncer de mama são a ultrassonografia mamária e a ressonância. Em relação ao tratamento, a mastectomia é um dos últimos recursos adotados pelos especialistas para curar o paciente.
Quanto a atriz Angelina Jolie, com a retirada das mamas a probabilidade dela ter um tumor caiu para 5%.
O procedimento não é o único recomendável, conforme destaca Fukuda. “A gente só faz isso quando a paciente já alcançou uma certa idade na qual não pensa mais em ter filhos, porque depois da retirada ela não poderá amamentar”, desfechou.
SUS oferece plástica de mama, mas atinge só 10%
Desde 2008, 63,5 mil brasileiras fizeram cirurgia de remoção dos seios para tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País. Esse número equivale a uma cirurgia realizada a cada 40 minutos nos últimos cinco anos. Os dados, do Departamento de Informática do SUS (Datasus), não consideram ainda os procedimentos feitos por hospitais particulares.
Mais de 50 mil mulheres passaram pela mastectomia radical. A cirurgia é semelhante a realizada pela atriz americana Angelina Jolie, que anunciou a retirada completa das mamas nessa terça-feira, 14. No entanto, ao contrário do procedimento preventivo da atriz, no Brasil as cirurgias de remoção parcial ou completa dos seios só são realizadas pelo SUS em casos já confirmados de câncer.
Direito à plástica
Os dados revelam ainda que apenas 10% dos procedimentos cirúrgicos pela rede pública de saúde foram acompanhadas de plásticas reconstrutoras. Após a remoção das mamas para o tratamento de câncer, as brasileiras esperam, em média, de dois a cinco anos por uma cirurgia reconstrutora. Há duas semanas, a presidente sancionou uma lei que busca alterar essa realidade. A medida, que já está em vigor, obriga o SUS a fazer a plástica reconstrutora no mesmo dia da mastectomia. Nos casos em que não houver condições para a reconstrução imediata, a plástica deve ser feita logo após a permissão médica.
Em 2010, o câncer de mama matou 12.853 pessoas no Brasil. Entre 2005 e 2010, o índice de mortalidade da doença avançou 25%.
(Diário do Pará e Agência Estado)
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