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Protestos trazem risco de restrição, afirma banco

As manifestações populares que se espalham pelo País, principalmente contra o aumento das tarifas de transporte público e o dinheiro aplicado nas obras voltadas à Copa do Mundo, e seus possíveis efeitos sobre a economia doméstica aos poucos vão ganhando e

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As manifestações populares que se espalham pelo País, principalmente contra o aumento das tarifas de transporte público e o dinheiro aplicado nas obras voltadas à Copa do Mundo, e seus possíveis efeitos sobre a economia doméstica aos poucos vão ganhando espaço nos relatórios econômicos produzidos pelo mercado financeiro.

O Deutsche Bank alertou na semana passada para o risco de que os protestos resultem em futuras “restrições” para a política econômica, citando, por exemplo, impactos sobre a inflação e as contas públicas. Sobre as manifestações em São Paulo, que tiveram como principal motivação a elevação da tarifa de ônibus municipal de R$ 3,00 para R$ 3,20, o banco considerou que “o ajuste relativamente pequeno (especialmente diante da inflação de 6,5% em 12 meses) parece ser um pretexto para insatisfações mais profundas, como a erosão da renda causada pela inflação, a má qualidade dos serviços públicos em geral e a frustração da nova classe média sobre a falta de melhoria na qualidade de vida, apesar das elevadas expectativas geradas em torno da economia brasileira nos últimos anos.”

“Em nossa opinião, há o risco de que esses movimentos possam impor futuras restrições para as políticas econômicas. O preço do combustível doméstico, por exemplo, está amplamente defasado em relação aos preços internacionais, mas é improvável que o governo promova elevações, dado o potencial efeito sobre os transporte público e sobre a inflação”, disseram os economistas do Deutsche.

Além disso, segundo a instituição, com o movimento, o governo poderia ser instigado a adotar medidas populistas para apaziguar a opinião pública, o que aumentaria o tamanho do déficit. “O sentimento de hostilidade também poderia se voltar contra o BC, que deveria continuar elevando o juro como o mercado está precificando”, avalia o banco.

Por fim, para o Deutsche, os conflitos trazem riscos também para a eleição de 2014, “na medida em que alguns grupos podem querer obter vantagens com demandas específicas e partidos políticos podem utilizar os protestos para influenciar a opinião pública”.

A TARIFA

Os protestos desencadeados pelo aumento da tarifa dos ônibus urbanos, mobilizam milhares de pessoas por razões bastante objetivas. Segundo o Índice de Preços de Serviços (IPS), o transporte público, que envolve a passagem de ônibus, trem e metrô, consome 15,35% da renda mensal das famílias da classe D, que recebem entre R$ 976,59 e R$ 1.464,87 por mês.

(Agência Estado)

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