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Dilma diz que cortes não afetarão política social

Na primeira reunião ministerial do ano, e em meio a uma onda de protestos no País, a presidente Dilma Rousseff disse que não fará demagogia para cortar gastos públicos, mas não apresentou nenhuma proposta para reduzir despesas. Mesmo sem citar diretamente

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Na primeira reunião ministerial do ano, e em meio a uma onda de protestos no País, a presidente Dilma Rousseff disse que não fará demagogia para cortar gastos públicos, mas não apresentou nenhuma proposta para reduzir despesas. Mesmo sem citar diretamente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, Dilma deu uma alfinetada no tucano ao afirmar que não reduzirá sua equipe.

“Eu não farei demagogia de cortar gastos que não ocupo, mas eu vou cortar gastos e também vou tentar olhar onde e em que setor é possível fazer isso”, argumentou Dilma. “Cortar Bolsa Família jamais. Não esperem de mim reduzir gasto social. Não há hipótese disso.”

Na semana passada, Alckmin anunciou uma lista de medidas para cortar despesas que incluem a extinção de secretarias e autarquias, com o objetivo de compensar a redução das tarifas de ônibus. A oposição tem criticado Dilma por propor um plebiscito para impulsionar a reforma política sem antes reduzir o número de ministérios -- hoje são 39 -- nem reduzir outras despesas de custeio da máquina pública.

“O povo, nas ruas, não pediu redução de direito social e o meu governo não fará isso”, insistiu a presidente. “O meu governo é padrão Felipão”, completou, numa referência à vitória da seleção brasileira na Copa das Confederações.

Dilma defendeu “tarifa única” para ônibus, metrôs e trens metropolitanos e lembrou que a política de desoneração do governo abateu, em média, R$ 0,22 no preço das passagens de transporte coletivo. Assim como fez na reunião com sindicalistas, ela disse não haver “tarifa zero” para transporte coletivo. Afirmou que “tudo sai do nosso bolso”. “Todo subsídio sai da população. Ou a população paga como contribuinte, por meio de impostos, ou como consumidora de um serviço”, disse ela.

Afável com os jornalistas, após cair 21 pontos na pesquisa Datafolha divulgada no sábado, 29, Dilma mostrou outro estilo ao interromper a reunião ministerial: ela prometeu dar mais entrevistas e ser mais comunicativa. Não era costume da presidente falar com os jornalistas nesses encontros.

Além do Datafolha, pesquisas qualitativas que chegaram ao Planalto, recentemente, também mostraram insatisfação de várias camadas da população com o governo, principalmente por parte da juventude.

“Eu nunca comentei pesquisa, nem em cima, nem embaixo. É um retrato do momento e a gente tem de respeitar. Eu recebo pesquisa pelo valor de face”, disse a presidente.

Financiamento de campanha e padrão de voto vigente

Com a popularidade em queda livre e ameaças surgindo dentro da própria base aliada, a presidente Dilma Rousseff confirmou que o plebiscito sobre reforma política, que ela irá sugerir à Câmara e ao Senado nesta terça, tratará de questões referentes a financiamento de campanha e ao padrão de voto vigente. Dilma, no entanto, destacou que outros temas poderão ser incorporados e não deu nenhuma garantia do prazo para a realização do plebiscito - questão que, segundo ela, caberá ao TSE decidir.

De acordo com Dilma, também nesta terça o TSE deverá responder sobre o prazo para a realização do plebiscito.

(Agência Estado)

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