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Inflação desacelerou em junho

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou na passagem de maio para junho de 0,37% para 0,26%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem. O movimento não impediu, porém,

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A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou na passagem de maio para junho de 0,37% para 0,26%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem. O movimento não impediu, porém, que a taxa acumulada dos últimos 12 meses estourasse o teto da meta de inflação, fixado pelo governo em 6,5%.

"Não dá para ficar tranquilo ainda, pois o indicador anualizado, em 6,7%, voltou a romper o teto da meta e ainda existe dúvida sobre os efeitos da desvalorização cambial na inflação", alertou o sócio da Tendências Consultoria, Juan Jensen. Apesar da preocupação, o economista avalia como uma surpresa positiva o resultado do IPCA de junho, que ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro.

O destaque ficou com a desaceleração nos preços dos alimentos, de 0,31% para 0,04% no período. "Os alimentos têm um peso muito grande no orçamento das famílias", afirmou Jensen. De acordo com o IBGE, o item responde por cerca de 25% do IPCA, taxa que serve de referência para a política de metas de inflação do Banco Central.

A onda de protestos no País também se refletiu na inflação, de acordo com a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Ela lembrou que as manifestações obrigaram muitos comerciantes a fechar as portas. Para compensar as perdas e desovar os estoques, que subiram ao longo de junho, baixaram os preços. "Junho foi um mês atípico. O consumo já estava retraído", afirmou.

A responsável pelo cálculo do IPCA observa que os protestos aconteceram em um momento propenso à retração no ritmo de alta do preço dos alimentos, como o menor consumo das famílias e a entrada da safra agrícola, que aponta para um crescimento de 15% sobre o ano anterior.

Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, os alimentos devem continuar contribuindo para segurar a inflação em julho.

Mas a alimentação subiu quase o dobro

Com peso bastante relevante em todos os índices de inflação ao consumidor, o grupo Alimentação mostrou um comportamento que assustou a população brasileira no primeiro semestre de 2013. A despeito de ter apresentado desaceleração importante em junho em três importantes indicadores do País, a classe de despesa encerrou a primeira metade do ano com variação próxima do dobro da inflação média apurada no período. A boa notícia, de acordo com alguns especialistas, é que o segundo semestre tende a ser melhor para os preços dos alimentos, seja pela sazonalidade favorável ou pela safra de alguns itens.

Entre janeiro e junho, no principal indicador de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), do IBGE, o grupo Alimentação acumulou elevação de 6,02% contra uma taxa geral de 3,15%. Situação parecida foi observada no Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com taxa de 3,29% contra variação positiva de 6,29% dos alimentos. No IPC da Fipe, a inflação acumulada foi de 1,89%, enquanto o grupo Alimentação avançou 3,12%.

A principal explicação para esse comportamento dos alimentos foi o clima chuvoso dos primeiros meses de 2013 que atrapalhou especialmente a oferta dos chamados itens "in natura".

(Agência Estado)

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