Horas depois de vaiarem a ausência da presidente Dilma Rousseff na Marcha em Defesa dos Municípios, prefeitos reunidos em Brasília receberam a informação de que o governo anunciará, nesta quarta-feira (10), medidas para aliviar as dificuldades com despesas de custeio. O anúncio será feito pela própria Dilma, que adiou para esta quarta sua participação no evento. Os prefeitos reclamam que correm o risco de ficarem com a "ficha suja" por não conseguirem arcar com as folhas de pagamento de salários dos servidores.
Ainda na manhã desta terça-feira (9), o Planalto enviou os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha, para fazer a promessa em nome da presidente e acalmar os ânimos dos prefeitos. Padilha e Mercadante gastaram boa parte do tempo de suas palestras para falar do Programa Mais Médicos, lançado na segunda-feira, 8, por Dilma. Eles disseram que as prefeituras não terão despesas com os médicos brasileiros e estrangeiros que o governo federal pretende contratar, com salário de R$ 10 mil, para atuar em áreas do País com déficit desses profissionais.
Mercadante disse que o governo ainda está disposto a discutir no Congresso uma nova forma de reajustar o piso dos professores. Os prefeitos argumentam que não conseguem pagar os profissionais da educação.
Cardiologista e clínico geral do quadro do Sistema Único de Saúde (SUS), o prefeito de Nhandeara (SP), Odilon Silveira (PSB) usou o microfone para fazer críticas o governo. "Depois de 27 anos de serviço para o Ministério da Saúde, recebo R$ 3.360. O senhor (Alexandre Padilha) diz que vai pagar R$ 10 mil para um médico estrangeiro. E para nós, o senhor tem alguma proposta para melhorar os municípios?"
Em maio passado, a Justiça Federal chegou a bloquear os bens de Odilon Silveira, após aceitar denúncia do Ministério Público de que a prefeitura tinha terceirizado a saúde do município e repassado R$ 1,89 milhão - um dinheiro do Ministério da Saúde - entre 2008 e 2012 para uma associação. O contrato foi firmado em 2007, ainda no mandato do antecessor de Silveira. A 508 quilômetros de São Paulo, Nhandeara conta com 12 médicos para atender dez mil moradores, cada um recebe cerca de R$ 12 mil por 40 horas de trabalho. O prefeito diz que não pretende entrar no programa Mais Médicos porque não tem dinheiro para arcar com possíveis encargos na contratação dos profissionais.
(Agência Estado)
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