O governo federal vai criar um grupo de trabalho reunindo cinco ministérios para investigar a espionagem de cidadãos brasileiros por parte dos EUA. O grupo, formado por técnicos das Relações Exteriores, Justiça, Comunicações, Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional, será responsável por identificar se houve crime e de que tipo, além de indicar ao governo que medidas tomar para melhorar a proteção das informações no Brasil.
Os cinco ministros - Antonio Patriota, José Eduardo Cardozo, Paulo Bernardo, Celso Amorim e o general José Elito - se reuniram por cerca de uma hora no Ministério da Justiça e, à tarde, estiveram com a presidente Dilma Rousseff.
“Vamos analisar toda essa questão da interceptação de dados. Formamos um grupo técnico que vai apreciar toda a matéria sob o ponto de vista da informática e do jurídico com objetivo de ter uma avaliação segura daquilo que efetivamente ocorreu”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
A intenção é que o grupo técnico também aponte ao governo se há falhas de segurança e infraestrutura que precisam ser corrigidas para dar maior proteção aos dados de cidadãos e empresas brasileiras.
CONFIRMAÇÃO
Segundo Cardozo, é preciso ainda confirmar que os dados foram interceptados e, principalmente, de que maneira isso aconteceu. “Se comprovada a interceptação, obviamente nós temos a configuração de situação criminosa a ser apurada em relação à autoria e à participação no âmbito do território nacional”, disse o ministro.
À tarde, a pedido da presidente, Patriota convocou novamente ao Itamaraty o embaixador dos EUA, Thomas Shannon. O diplomata chegou sozinho e discretamente. Shannon e Patriota preferiram não divulgar o conteúdo da conversa. Mais cedo, em entrevista coletiva ao lado do chanceler uruguaio, Luis Almagro, Patriota disse que o governo estuda a forma mais apropriada de levantar a questão da proteção de informações em fóruns internacionais.
Além da União Internacional e Telecomunicações (UIT) e da Assembleia Geral da ONU, o Brasil deve levar o caso ao Conselho de Direitos Humanos da organização, sob o argumento do direito à privacidade. “Queremos ampliar esse debate”, disse Patriota.
(Agência Estado)
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