O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, citou ontem os planos para o lançamento de um novo satélite nacional e a construção de cabos submarinos ligando o Brasil à Europa e à África como instrumentos para diminuir a vulnerabilidade do País a interceptações e monitoramentos realizados pelos órgãos de inteligência dos Estados Unidos. O ministro também destacou os anéis de conexão de fibra óptica que estão sendo feitos com os países sul-americanos que fazem fronteira com o Brasil.
Em audiência pública conjunta das comissões de Relações Exteriores e Ciência e Tecnologia do Senado, Bernardo informou que o custo de tráfego da internet brasileira para os EUA chega a US$ 650 milhões por ano. “Queremos descentralizar essa infraestrutura. Além de tornar o serviço mais barato, agora temos outro motivo para defendermos isso”, acrescentou, referindo-se às informações vazadas pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, sobre a espionagem de autoridades norte-americanas a dados e comunicações de cidadãos brasileiros.
MARCO CIVIL
O ministro disse ainda que irá negociar aperfeiçoamentos no projeto de Marco Civil da Internet que tramita no Congresso Nacional, em função das denúncias divulgadas nos últimos dias. Segundo ele, a intenção é reforçar a proteção dos dados privados dos usuários.
O ministro disse também que, por determinação da presidente Dilma Rousseff, o Brasil irá acionar a Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a questão da interceptação de dados de cidadãos brasileiros. “Além das medidas de caráter interno, nós vamos acionar organismos internacionais, como a ONU. O Brasil não vai limitar isso a uma questão bilateral. A vulnerabilidade é um problema de todos”, disse Bernardo.
O ministro avaliou achar “difícil” que empresas brasileiras estejam envolvidas no caso de espionagem. “Se alguma empresa brasileira tivesse participado, isso já teria vazado há muito tempo. Mas, se houver alguém envolvido, ele com certeza será punido após a investigação que está sendo realizada pela Polícia Federal”, completou.
TELEFONE DE DILMA
Por segurança, há uma rede de telefones criptografados instalada na Esplanada dos Ministérios. Por eles, a presidente Dilma Rousseff pode se comunicar com seus principais auxiliares. Porém, o aparelho fica às moscas. “De vez em quando, liga um técnico para saber se o telefone está funcionando direito”, contou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em reunião no Senado. “Mas a presidenta mesmo nunca me ligou nele; ela liga do celular dela para o meu.”
A comunicação por celular é bastante frágil do ponto de vista de segurança, admitiu Bernardo. Isso, porém, não chega a ser um problema. Nada de extremamente sigiloso é conversado pelo telefone.
(Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar