Coordenador do grupo da Câmara que debaterá a reforma política, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que os trabalhos “não vão andar” se a discussão tiver como “ideia fixa” as principais propostas de seu partido para o tema, o financiamento público de campanhas e o voto em lista fechada. Ele participou do lançamento de um portal para que os eleitores mandem sugestões sobre o tema No primeiro dia de funcionamento, internautas aproveitaram o espaço para fazer desabafos e sugerirem redução de salários e outros benefícios dos parlamentares.
Vaccarezza afirmou que os deputados vão ouvir as propostas da sociedade e prometeu trabalhar na busca de consensos para realizar mudanças. “Desta vez vai ter votação”, garantiu. Como receita, acabou por descartar a insistência nas bandeiras caras ao PT.
“É errado se basear em um pensamento único, em ideia fixa. Por exemplo, eu defendo voto em lista e financiamento público, mas se quiser enquadrar o debate nisso, aí não vai andar”, disse Vaccarezza, para depois fazer a ressalva de que as teses defendidas pelo seu partido não podem ser tidas como vencidas por não terem passado ainda por votação na Casa.
O deputado já teve antes sua posição criticada porque não defenderia as posições do partido. Vaccarezza garante que apoia os ideais, como a de realização de um plebiscito sobre o tema, mas ressaltou que como coordenador precisa trabalhar dentro de um “bom senso” para construir propostas objetivas. “Temos que procurar algo no meio, na média, na mediana”, argumentou.
O lançamento do portal é uma tentativa de aproximar a sociedade do debate. Para participar, o eleitor terá de se cadastrar. Até as 19 horas desta quarta-feira, no primeiro dia de funcionamento, 59 pessoas já tinham manifestado sua posição em mais de 206 mensagens, muitas com ataques ao Congresso e sugestões que passam longe do debate pretendido pelo grupo de trabalho.
“Redução de pelo menos 80% dos salários dos políticos brasileiros”, propôs um dos eleitores. “Corte extremo nos benefícios abusivos dos políticos”, afirmou outro. “Redução do número de deputados federais para 10”, sugeriu um terceiro.
Em uma sessão de enquete da página, aparecem como temas mais votados a possibilidade de apresentação de propostas de emendas à Constituição por meio de iniciativa popular, a simplificação da apresentação deste tipo de projeto, o fim de regalias.
(Agência Estado)
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