As manifestações de junho foram fundamentais para a queda acentuada da popularidade da presidente Dilma Rousseff e apenas a melhora do desempenho da economia poderá garantir alguma recuperação, mas não aos patamares anteriores. A avaliação é de Renato da Fonseca, gerente-executivo da pesquisa CNI/Ibope. Em quatro meses, a aprovação positiva de seu governo despencou de 63% para 31% após os protestos. O índice de entrevistados que consideram o governo regular subiu, de março a julho, de 29% para 37%.
Dilma já vinha de um processo de queda acentuada desde junho, quando a pesquisa registrou um recuo de oito pontos porcentuais (55% da população avaliavam o governo como ótimo ou bom). Para Fonseca, o retorno da inflação foi o "gatilho" da queda da popularidade e as manifestações trouxeram à tona problemas que já vinham sendo reclamados pelos entrevistados em levantamentos anteriores. "As insatisfações vão se acumulando até o momento em que as pessoas explodem", concluiu.
Não é à toa que Saúde, Educação e Segurança, áreas que se destacaram nas reivindicações das ruas, aparecem na última pesquisa com as piores avaliações. Habitação, combate à fome e capacitação profissional são os setores do governo federal que receberam as melhores avaliações da população.
A DIFERENÇA
Comparando a crise enfrentada hoje por Dilma com o pior momento vivido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, no escândalo do mensalão, Fonseca pondera que a diferença está no crescimento econômico registrado naquele período do governo Lula, ao contrário do cenário enfrentado por Dilma em 2013. "É possível recuperar (a popularidade), vai depender da evolução das condições econômicas, que não vão bem", ponderou.
Passada as manifestações, que ganharam destaque na sociedade mais do que qualquer outro noticiário e reforçaram um sentimento de insatisfação generalizada, a tendência é haver recuperação da avaliação positiva ou estabilização dos números, mas não há perspectiva de que os índices voltarão aos patamares anteriores.
(AGência Estado)
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