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Brasileiro trabalha 4 meses só para pagar impostos

Uma pesquisa de opinião encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou que 91% dos brasileiros consideram excessiva a carga tributária praticada no país. Nas ruas de Belém, não é difícil encontrar quem reclame. “Para onde você se vir

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Uma pesquisa de opinião encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou que 91% dos brasileiros consideram excessiva a carga tributária praticada no país. Nas ruas de Belém, não é difícil encontrar quem reclame. “Para onde você se vira é imposto e taxa pra pagar. É tudo muito caro e a gente acaba refém do governo porque começa a pagar e pagar e quando vê, não deu nem pro começo”, queixa-se dona Esmeralda Nogueira, 70 anos. Durante as compras de um dos principais itens da alimentação paraense, a farinha, o garçom Milton Santos também reclamou. “A verdade é que a gente sempre paga mais do que deveria em tudo. Acho que mais da metade dos preços das coisas são de impostos e isso é injusto com cidadão”.

Queixas que têm justificativa. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia do Pará, o economista Rosivaldo Batista, a carga tributária no país é equivalente a 36% do total do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, proporção equivalente a países desenvolvidos. “O brasileiro é obrigado a trabalhar quatro meses apenas para pagar impostos. Trata-se de uma carga muito pesada não compatível com os serviços revertidos à população. É o equivalente a pagar imposto de países como Suécia e Suíça, mas não ter a mesma qualidade de serviço ofertado nesses mesmos países”, afirma o especialista. “Se você paga R$10 mil reais em um carro, R$ 4 mil são apenas de tributos”, exemplifica Batista.

Segundo a pesquisa, um dos principais motivos para o descontentamento dos brasileiros com as cobranças seria exatamente essa má utilização dos recursos. Na média do país, 74% dos ouvidos acreditam que os recursos são mal utilizados pela presidenta Dilma Rousseff e seus ministros como, também, pelos governadores e secretários, 70% das pessoas reprovam prefeitos e secretários municipais.

“Acaba que é um processo de mão única. Tudo volta para o governo. Se você compra as coisas, paga imposto. Se deixa dinheiro na poupança, paga do mesmo jeito e o retorno que é bom não vem. Segurança, você tem que contratar. Educação, só na rede particular. Saúde, só com plano de saúde. Tudo tem de ser pago nesse país. Coitado do nosso bolso”, avalia a funcionária pública Maria Auxiliadora Dias, 62 anos, demonstrando uma reflexão que segundo, o economista, tem crescido entre os brasileiros.

Na interpretação dele é um erro considerar que a população não entende de questões tributárias e sobre como isso interfere na vida das pessoas. “Hoje as pessoas estão muito mais atentas, a própria lei aprovada no Congresso Nacional e que determina que o valor pago em impostos seja descrito na nota fiscal impulsionará ainda mais esse processo e dará fôlego para uma pressão fundamental que é a importância de se votar uma reforma tributária para o país. Essa, sem dúvida, será a mais eficaz forma de distribuir esse peso que hoje é desigual e enforca, sobretudo, a classe média”, finaliza Rosivaldo Batista.

(Diário do Pará)

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