Depois de constatar que a abertura do cofre para o pagamento de emendas parlamentares não será suficiente para evitar novas derrotas, sobretudo na Câmara, o governo tentará evitar votações de temas polêmicos na próxima semana enquanto tenta buscar brechas para ampliar o diálogo com a própria base aliada. Os partidos serão chamados para novas conversas no Palácio do Planalto com o objetivo de convencê-los a votar a favor do governo
No Senado, porém, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) anunciou que manterá na pauta matérias com grande impacto nos cofres do governo federal. Entre as propostas que estão na pauta - embora sem data definida para a votação - constam a que institui o passe livre para estudantes e a que prevê 10% da receita corrente líquida para a saúde. Calheiros afirmou que a Casa vai continuar votando propostas da agenda criada em resposta aos protestos de rua. Ressaltou que as decisões serão “de acordo com os interesses do País” e sem “irresponsabilidade fiscal”.
POSIÇÃO DO PMDB
Criticado pelo PT nos últimos dias, o PMDB aproveitou a volta aos trabalhadores legislativos para dar o troco no parceiro e no governo. O presidente em exercício do partido, Valdir Raupp (RO), chegou a dizer que a “nave (do governo) está desgovernada” e que a “base está descontrolada”, além de pregar a redução no número de ministérios da presidente Dilma Rousseff. O senador Roberto Requião (PR) também atacou a aliança com o PT. Disse que há muito o PMDB não é ouvido para nada e que é apenas “um partido auxiliar”. Para ele, o PMDB deve repensar suas alianças.
Na Câmara não houve movimentação semelhante do PMDB. Mas a percepção dos líderes governistas é a de que se houver votação na semana que vem o governo poderá ser derrotado. “Será uma semana de reuniões com lideranças. É a política, ouvir muito e reunir muito. Temos que discutir na base e não tem de criar problemas. Não vamos votar nada na próxima semana dessas pautas, vamos ter calma”, disse o líder do PT, José Guimarães (CE).
A pauta da Câmara na próxima semana prevê a votação do projeto que destina royalties do petróleo para as áreas da educação e saúde e da proposta de orçamento impositivo, para tornar obrigatório o pagamento de emendas parlamentares ao Orçamento da União. No cenário atual, o governo deve ser derrotado nos dois temas. Em relação aos royalties, a tendência é de retomar o texto de André Figueiredo (CE), líder do PDT, que inclui na distribuição metade dos recursos do principal Fundo Social, não apenas dos rendimentos, como quer o Planalto. A outra matéria é uma promessa de campanha de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e sua aprovação é tida como garantida.
Para tentar reverter o quadro, uma das primeiras conversas será com o PDT. Na terça-feira, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) receberá Figueiredo, o presidente da legenda, Carlos Lupi, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, e o líder no Senado, Acir Gurgacz (RO). O objetivo é cobrar do partido lealdade ao governo.
(Agência Estado)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar