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Ministro repudia detenção de brasileiro em Londres

Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, e do Reino Unido, William Hague, conversaram por telefone sobre a detenção do brasileiro David Miranda no aeroporto de Heathrow, em Londres, durante nove horas. Patriota e Hague decidiram q

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Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, e do Reino Unido, William Hague, conversaram por telefone sobre a detenção do brasileiro David Miranda no aeroporto de Heathrow, em Londres, durante nove horas. Patriota e Hague decidiram que representantes dos dois países permanecerão em contato na busca de uma solução para o impasse sobre o episódio. Miranda é companheiro do jornalista Glenn Greenwald, do diário inglês The Guardian, que divulgou informações sobre o esquema de espionagem do governo norte-americano.

De manhã, quando esteve no Rio, Patriota disse que a detenção de Miranda não se justifica. “Espero que não volte a acontecer”, afirmou o chanceler.

“Continuamos a assistir a alguns desmandos e desvios nessa questão do combate ao terrorismo. Reconhecemos que é um combate legítimo, que precisa ser articulado de forma a impedir que vidas inocentes sucumbam a atos de violência gratuita, mas também precisa se inspirar nos ideais de multilateralismo, direito internacional e racionalidade”, afirmou Patriota em discurso.

Entre os exemplos dos “desmandos e desvios” no combate ao terrorismo ele citou o enquadramento de pessoas, mesmo sem nenhuma justificativa para a suspeita de envolvimento delas com o terrorismo.

Pelo Twitter, o Ministério das Relações Exteriores também criticou a ação da polícia britânica. “Consideramos que não é justificável detenção com base em lei que se aplica a suspeitos de terrorismo”, afirmou uma mensagem oficial.

Em comunicado de dois parágrafos, a embaixada britânica em Brasília informou sobre a conversa entre os ministros, mas ressaltou que o assunto está sob responsabilidade da polícia londrina. “O ministro das Relações Exteriores britânico teve uma conversa particular com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, sobre a detenção de David Miranda. (.. ) Eles concordaram que representantes dos governos brasileiro e britânico permanecerão em contato sobre o assunto. Esta continua sendo uma questão operacional da Polícia Metropolitana de Londres”, diz a nota.

A embaixada reiterou que as relações com o Brasil são intensas e de estreita parceria. “O Reino Unido e o Brasil têm uma forte relação bilateral. Nós trabalhamos em estreita parceria em diversas áreas, disse o embaixador Alex Ellis.

Polícia confiscou dois pen-drives e HD

Dois pen-drives e um HD externo que contêm documentos sigilosos a serem analisados pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, e que estavam sendo trazidos da Europa por seu companheiro, o brasileiro David Miranda, foram confiscados por agentes britânicos no aeroporto de Heathrow, no domingo, 18. Ele acredita que vem sendo monitorado pelo governo do Reino Unido. “Era muita informação, documentos importantes para o trabalho dele. Os agentes estavam atrás disso”, contou nesta segunda-feira, 19, Miranda, que mora no Rio com Greenwald

Ele desembarcou de manhã cedo no aeroporto Tom Jobim num voo da British Airways. Em Londres, passou nove horas sendo interrogado por sete agentes, e teve os objetos pessoais confiscados. Voava de Berlim, onde passara uma semana, e ficaria apenas duas horas em Heathrow, até pegar a conexão para o Rio. Foi identificado e abordado imediatamente depois de sair do avião.

“Já sabiam quem eu era, estavam me monitorando. Com certeza grampearam meu celular. Fiquei numa sala durante nove horas, sem acesso a ninguém, com sete agentes me fazendo perguntas o tempo inteiro. Fizeram muitas ameaças de me prender, um ataque psicológico enorme. Eu falo inglês, mas perguntei se poderia ter alguém para fazer tradução caso eu ficasse estressado, e não chamaram. Pedi para entrar em contato com meu parceiro e demoraram mais de três horas para dizer que tinham conseguido falar com ele”, relatou.

O material apreendido foi passado a Miranda em Berlim pela documentarista Julia Poitras, que trabalha com Greenwald na análise de documentos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) sobre seus métodos de espionagem de cidadãos e governos de vários países. Vazados para o jornalista pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden, os arquivos do programa de vigilância da NSA foram revelados em reportagens publicadas por Greenwald no jornal inglês The Guardian.

Miranda foi detido com base no artigo 7 da Lei de Terrorismo de 2000, que dá poder a autoridades aeroportuárias de deter suspeitos de entrada e saída do Reino Unido por até nove horas. É considerada vaga e, por isso, arbitrária, por não estabelecer critérios para identificação de quem é suspeito.

Não havia nada formal contra ele, o que confirma que tudo não passou de retaliação por conta das reportagens de Greenwald.

(Agência Estado)

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