A médica Fernanda Nauata de Carvalho, de 30 anos, aprovada na primeira chamada do programa Mais Médicos para atender em Indaiatuba, na região de Campinas, está realizando dois sonhos. O primeiro, dedicar-se exclusivamente à atenção básica, o que vinha fazendo em São Paulo, mas não com dedicação integral. O segundo, voltar para o interior - a médica nasceu em Mogi-Guaçu, formou-se em Volta Redonda (RJ) e há cinco anos vinha trabalhando em São Paulo. “Há muito tempo eu planejava voltar para o interior e o programa me ofereceu essa oportunidade.”
Não que a rotina de trabalho no interior seja mais amena do que na capital. Nesta sexta-feira, 06, na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Califórnia, a médica iniciou o atendimento às 7 da manhã e só encerrou o expediente alguns minutos antes das 17 horas para atender a reportagem. Só nas primeiras quatro horas tinham sido 16 atendimentos, na maioria consultas já agendadas. À tarde, chegaram pacientes que não tinham marcado consulta - mães com crianças espirrando, uma grávida com dor, um idoso reclamando da pressão alta, uma jovem que tossia bastante. As cadeiras da sala de espera não chegaram a ficar lotadas.
Fernanda encerrou a primeira semana do Mais Médicos dizendo-se feliz com a mudança. Em São Paulo ela atendia na parte da manhã numa UBS da zona sul e ainda tinha de fazer atendimento num consultório particular para complementar a renda. “Eu tinha de sair de casa às 5 horas para chegar às 7h. Aqui, estou a dez minutos de casa.” A estrutura da saúde, segundo ela, também é melhor. A médica ocupa um consultório simples, mas novo e bem equipado. O prédio da unidade foi inaugurado recentemente. “Sem contar que estou no interior, sem aquela loucura do trânsito, menos preocupada com a violência.”
As condições dos pacientes são semelhantes, mas as pessoas elogiaram o atendimento da doutora, segundo a coordenadora de Atenção Básica, Fátima Maia. “Ela puxa conversa, pergunta da família, não faz aquele atendimento burocrático.” A partir de segunda-feira, a médica vai para a rua no período da tarde, acompanhando uma equipe do Programa Saúde da Família (PSF).
(Agência Estado)
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