O secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paulo Roberto Pinto, pediu exoneração do cargo ontem, um dia após a Polícia Federal (PF) apontar o suposto envolvimento dele em esquema de desvio de verbas de convênios com uma entidade sem fins lucrativos. A informação foi confirmada pela pasta, que não deu detalhes sobre o pedido de Paulo Pinto, número 2 na hierarquia do MTE.
O ministro Manoel Dias (PDT) deu entrevista sobre as denúncias envolvendo alguns de seus principais assessores. A Operação Esopo, deflagrada na segunda-feira pela PF, desbaratou suposto esquema para fraudar parcerias da Pasta com o Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), baseado em Minas Gerais, mas com atuação em diversos Estados. Segundo a PF, os envolvidos assediavam funcionários públicos para obter convênios, cujos serviços eram superfaturados ou nem sequer prestados. Há suspeita de que R$ 400 milhões possam ter sido desviados.
Segundo o inquérito, Paulo Pinto teria favorecido o IMDC ao determinar à Controladoria-Geral da União (CGU) que o retirasse da lista de entidades proibidas de receber recursos federais, embora inúmeras irregularidades já tivessem sido atribuídas ao instituto. O secretário-executivo foi conduzido pela PF a prestar depoimento, e liberado em seguida. Assessor de Manoel Dias, Anderson Brito foi preso. A PF diz que ele recebeu propina para favorecer o IMDC no Trabalho, fazendo gestões para que recebesse verba pública.
Fala o ministro
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, defendeu o seu partido, o PDT, e afirmou que irregularidades como as apontadas pela Polícia Federal existem “em qualquer lugar”. Ele negou proximidade com o assessor Anderson Brito, que se entregou à PF, e afirmou que não demitiu de imediato o secretário-executivo da pasta, Paulo Pinto, porque precisava “amadurecer” o caso. Manoel Dias pediu ainda que Estados e municípios suspendam os repasses de convênios com o Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC) com recursos da pasta.
“Em qualquer lugar tem irregularidades, não só no Ministério do Trabalho”, disse Manoel Dias em entrevista coletiva. “Nós somos um partido ficha limpa”, concluiu, afirmando que não há comprovação de atos indecorosos ou de corrupção de seu partido na pasta.
O PDT começou a comandar o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com Carlos Lupi, presidente da legenda. Ele acabou demitido no processo de faxina no início do governo Dilma.
(AE)
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