Há 100 anos, nascia um dos maiores intelectuais brasileiros do século XX. Poeta, músico, dramaturgo, diplomata, erudito, popular, romântico, mulherengo, boêmio. Vinicius de Moraes tinha muitos adjetivos associados à sua imagem. As letras que compôs fazem parte da história de gerações de amantes e de apreciadores da boa música brasileira. E mesmo que o “poetinha”, como era chamado, tenha morrido há 33 anos, antes de ver o fenômeno da internet, é por meio dela que sua obra penetra um número cada vez maior de ouvidos e corações.
“A internet é um meio que eu tenho de me aprofundar mais no universo dele. Conhecer mais profundamente sua obra. E, vendo vídeos antigos, me apaixonei mais ainda”, diz a bacharel em Direito Wellyn Nascimento, de 26 anos, que faz parte de uma geração de admiradores que nasceu após a morte do poeta. “Ele canta sem fazer firula. Na verdade, parece mais uma conversa que ele está tendo com ele próprio. A cada descoberta, me encanto mais. E Vinicius sempre estará presente”, acrescenta.
E por mais que os meios de acesso à obra do poeta sejam cada vez mais tecnológicos, as sensações provocadas por seu romantismo parecem não se alterar no decorrer dos anos. “Vinicius retrata o amor real. Aquele amor que não é apenas um mar de rosas. Mas sim aquele que te faz feliz, te faz sofrer, e como ele mesmo disse ‘mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão’”, cita Wellyn. A própria vida pessoal do poeta parece ter sido uma expressão desse amor presente em sonetos e canções (veja o infográfico).

Mas nem tudo que Vinicius produziu é consenso entre aqueles que valorizam sua obra. A professora de Redação Camila Travassos considera que o poeta aborda, por vezes, a figura da mulher de forma machista. Ainda assim, é inegável a importância da contribuição de Vinicius para a música e as artes brasileiras. “É um nome importante tanto no que se refere à música e ao samba quanto à literatura de meados do século XX. Não há como tratar de Modernismo ou Bossa Nova em sala de aula sem que se mencione a contribuição da obra de Vinícius”, diz a professora.
Para Camila, é marcante na obra do poeta a linguagem simples e acessível utilizada para a divulgação do samba, ritmo por muito tempo desprezado pelas classes privilegiadas economicamente.
O clássico a um clique
Para marcar o centenário de Vinicius de Moraes, a VM Cultural, instituição que cuida do legado do poeta diplomata do Brasil, lançou hoje o novo projeto do site que abriga informações sobre vida e obra do “poetinha”. Internautas que quiserem mergulhar no universo de Vinicius encontram no site um excelente ponto de partida.
Claro que há também muita informação avulsa e desencontrada na internet. As citações nas redes sociais atribuídas equivocadamente a autores famosos, como Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, são exemplos de que é preciso ter cuidado com o que se acessa e se reproduz na rede. “Sem dúvida a internet facilita o acesso a acervos de e sobre obras mais clássicas, mas é preciso que o leitor faça uma seleção antes sobre aquilo que ele acaba por ter acesso, já que nem tudo que se encontra na rede é, de fato, uma fonte segura e confiável”, aconselha a professora Camila Travassos.
Quem quiser ler mais sobre Vinicius de Moraes e sua obra, pode aproveitar e usar o doodle do Google, que homenageia o poeta centenário hoje.
(Jones Santos/DOL)
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