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CPI paulistana insiste em ouvir comando da Alstom

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de São Paulo vai insistir na convocação do atual presidente da Alstom, Marcos Costa, para depor sobre o cartel dos trens. O presidente da CPI, vereador Paulo Fiorilo (PT), disse que v

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de São Paulo vai insistir na convocação do atual presidente da Alstom, Marcos Costa, para depor sobre o cartel dos trens. O presidente da CPI, vereador Paulo Fiorilo (PT), disse que vai tentar derrubar a liminar obtida na Justiça pelo empresário na semana passada. Essa liminar desobrigou o executivo de comparecer diante dos vereadores.

A necessidade de ouvir o presidente da multinacional francesa foi reforçada, segundo integrantes da CPI, após o jornal O Estado de S. Paulo ter publicado reportagem ontem sobre um e-mail enviado em 2004 pelo então presidente da Alstom, José Luiz Alquéres, a dirigentes da multinacional no qual “recomendava enfaticamente” os serviços do consultor Arthur Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista e pagador de propinas a servidores de estatais do setor metroferroviário. No e-mail, Alquéres fala ainda em “amigos tucanos” no governo de São Paulo.

Há 2 anos e 8 meses, a Suíça enviou ao Brasil documentos que envolvem a Alstom em suposto esquema de pagamento de propinas a um ex-diretor da CPTM, João Roberto Zaniboni. Entre os papéis estava o e-mail de Alquéres, datado de novembro de 2004. Mas o dossiê ficou engavetado no Ministério Público Federal. Há 20 dias, no entanto, outras esferas de investigação no Brasil receberam cópias dos mesmos papéis, em regime de compartilhamento.

“Nós intimamos novamente o presidente da Alstom. Estamos tentando derrubar a liminar. A reportagem do jornal reforça a linha do debate. Agora nós cremos que ele venha”, disse Fiorilo, presidente da CPI criada após os protestos contra o reajuste do preço da tarifa de ônibus e do Metrô. Controlada pelo PT, a comissão passou a investigar também as suspeitas de cartel e propinas envolvendo o governo paulista, comandado pelos adversários do PSDB,

Na avaliação do PSDB, a CPI, sob comando petista, estaria tentando explorar politicamente o caso do cartel. O PT nega.

Na Assembleia paulista, a comissão para investigar denúncias de cartel ainda não foi instalada.

Conheça o outro lado da multinacional

O empresário Marcos Costa, atual presidente da Alstom Brasil, reagiu à suspeita do Ministério Público da Suíça, que atribuiu à multinacional francesa orientação a diretores de áreas para pagar propinas. Costa esclareceu que “não é prática da Alstom nem de seus executivos, jamais orientar a quem quer que seja a pagar propinas, o que é absolutamente contrário a seus procedimentos”.

Ele pondera que o e-mail de 2004, despachado pelo então presidente da companhia, José Luiz Alquérez, “se refere à orientação para contratar consultoria especializada em marketing e desenvolvimento comercial”.

“Os atos da Alstom estão abertos a todas as investigações do Ministério Público”, afirmou o empresário em nota. Ele afirma que a interpretação dos procuradores suíços, que veem no e-mail um indício de propina, “induz a conclusões errôneas sobre as atitudes de seus executivos”. “A empresa reforça que mantém relacionamento com dirigentes políticos, seja em nível municipal, estadual ou federal, pois faz parte de sua atividade central prover produtos e serviços para infraestrutura de energia e transporte”, assinala. “O relacionamento com entes políticos é apartidário e sempre foi pautado na ética e no respeito mútuo. A Alstom está no Brasil há quase 60 anos, gerando empregos, investindo e colaborando com o desenvolvimento social e econômico”.

(AE)

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