O PT tem reunido em São Paulo, há cerca de dois meses, um grupo de militantes e especialistas para discutir o programa de governo a ser apresentado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes no ano que vem. Na sexta-feira ocorreu o terceiro desses encontros, sob o comando do presidente estadual da sigla, Edinho Silva.
O PT nunca começou a discutir programa tão cedo. Essa antecipação vem do diagnóstico de que é preciso preparar a candidatura de Padilha com antecedência para conseguir derrotar o PSDB, que completará 20 anos à frente do governo estadual. Na campanha vitoriosa do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo em 2012, por exemplo, o partido deu início às discussões sobre as diretrizes programáticas em fevereiro daquele ano, a oito meses de os paulistanos irem às urnas.
Participam do grupo cerca de dez pessoas, como o ex-prefeito de Diadema Mário Reali, o ex-presidente do Ipea Glauco Arbix e Marcos Rogério, que colaborou para a elaboração do plano de governo na candidatura de Aloizio Mercadante em 2010. Padilha não comparece às reuniões, mas fez questão de indicar a maioria dos integrantes.
A discussão ainda está na fase inicial. Num primeiro momento, entrou em pauta a análise de três cenários: o da conjuntura atual do Estado, da atuação do PSDB nessas últimas duas décadas e das chances do PT de vencer as eleições. O diagnóstico do grupo é que Padilha tem um perfil parecido com o de Haddad: um político jovem, com histórico de militância, mas sem ligações com as velhas figuras da legenda e, principalmente, com escândalos de corrupção.
O diagnóstico inicial do PT é que a questão econômica deve prevalecer no debate, assim como a necessidade de melhoria nos serviços públicos, pauta que surgiu com a onda de manifestações de junho. Na reunião de sexta foram definidos sete temas sobre os quais serão elaborados estudos, como mobilidade urbana e desenvolvimento. O próximo encontro deve ocorrer em 15 dias.
(Agência Estado)
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