Durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (29), o advogado do Instituto Royal, Alexandre Domingos Serafim, afirmou que todas as pesquisas com animais feitas no centro científico têm base na ordem e na legalidade. Ele informou que a entidade tem uma comissão de ética para analisar o tratamento dos animais e certificado de boas práticas de pesquisas com animais. Ele negou ainda a informação de que o instituto faria testes com animais para a produção de cosméticos.
O advogado Alexandre representa o instituto em reunião convocada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para debater as denúncias de abusos de animais nos testes científicos realizados no laboratório da entidade em São Roque, interior paulista. No último dia 18, ativistas invadiram o laboratório e retiraram de lá 178 cães da raça beagle que estariam sofrendo maus-tratos.
Segundo o advogado, a diretora-geral do Instituto Royal, Silvia Ortiz, e os funcionários chamados para a audiência não puderam comparecer porque estão tentando recuperar o laboratório e fazer o inventário das perdas sofridas com a invasão.
Ele ressaltou ainda que, em 2013, a pedido do Ministério Público, o Instituto Royal sofreu inspeção. Segundo o advogado, um biólogo verificou o estado de saúde dos animais e constatou que eles gozavam de boa saúde, além de não aparentarem ter sofrido abusos e maus-tratos.
'Animais dormiam sobre fezes', rebate ativista
Presente na mesma audiência, a presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), Vanice Orlandi, rebateu as declarações do advogado do Instituto Royal. Em referência à informação de Serafim de que a entidade sofreu ampla inspeção em 2013, Vanice disse que a visita do biólogo designado pelo MP foi agendada. Segundo ela, quando o biólogo e o veterinário chegaram ao pátio externo do laboratório, sentiram um forte odor e acharam que era proveniente de cadáveres. "Não, eram as fezes dos cães. Eles se alimentavam e pernoitavam sobre as próprias fezes", disse.
Segundo ela, a informação sobre a recreação dos cães foi dada pelos funcionários ao biólogo que fazia a inspeção, mas ele não presenciou os cães na recreação. Ela ressaltou ainda que "os animais são forçados a absorver substâncias tóxicas, letais, e depois têm que ser eutanizados (sacrificados) porque ficam muito debilitados". "Isso não é uma violência?", questionou.
"Nós somos levados a crer que as experimentações com animais são imprescindíveis, e não são", disse, acrescentando que 100 milhões de animais morrem a cada ano no mundo inteiro por causa dessa exploração.
Vanice também criticou a Lei Arouca (11.794/08), que regulamenta as pesquisas científicas com animais. "A Lei Arouca fala em comissão de ética. Mas não existe comissão que impeça que o animal seja submetido a dor e angústia. Eles recebem anestésicos, cuja ação tem duração limitada", destacou.
(DOL com informações do Terra)
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