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Jader apresenta à Dilma razões para ser reeleita

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) nem se lembra do cardápio do jantar com a presidente Dilma Rousseff, em 22 de outubro, no Palácio da Alvorada. Quase não comeu, bebeu um pouco de vinho e conversou muito. “Eu queria era falar”, conta. E Dilma, iniciando

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O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) nem se lembra do cardápio do jantar com a presidente Dilma Rousseff, em 22 de outubro, no Palácio da Alvorada. Quase não comeu, bebeu um pouco de vinho e conversou muito. “Eu queria era falar”, conta. E Dilma, iniciando ali um esforço para evitar que problemas locais entre PMDB e PT comprometam a aliança nacional, mostrou disposição de ouvir.

Jader estava à mesa com Dilma, o vice-presidente, Michel Temer, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), apenas seis dias após “quebrar o jejum” do mandato de senador, até então exercido “estrategicamente” de forma apagada.

Conhecido como hábil articulador e formulador político da cúpula do PMDB, mesmo quando recolhido na cena política, o senador apresentou à presidente as razões pelas quais acredita que ela será reeleita em 2014.

Para começar, falou de um “clássico” estudo do instituto Gallup sobre reeleição segundo o qual o chefe do Executivo que disputa segundo mandato já larga na disputa com a preferência de cerca de um terço do eleitorado. “É um estudo que o Gallup fez em relação à candidatura de [Richard] Nixon a governador da Califórnia em 62. Embora fosse seu reduto eleitoral, Nixon perdeu para um governador que tinha uma imagem mediana”, lembrou o peemedebista na conversa. “O estudo mostra que um terço do eleitorado é conservador em relação a mudanças, não sob o aspecto ideológico.”

Jader também avaliou pesquisas de intenção de voto. “O Eduardo [Campos] não consegue superar a Marina [Silva]. Acho difícil haver uma operação de troca [de suas posições] e ninguém vota em vice”, disse. Quanto ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), foi destacado o fato de ele ainda não ter deslanchado.

A esse quadro somou-se a constatação óbvia de que Dilma tem muito mais exposição na mídia e que o governo tem aproveitado bem com propaganda, inaugurações, eventos e lançamento de programas novos.

Para Jader - ex-governador do Pará (por dois mandatos), ministro do governo José Sarney, ex-presidente nacional do PMDB, ex-líder do PMDB no Senado por mais de seis anos e ex-presidente da Casa -, recuperar influência e poder em Brasília é importante para o projeto de retomar o governo do Pará, por meio do filho Helder Barbalho. Ele renunciou à Presidência do Senado e ao mandato de senador em 2001, após acirrado confronto com o senador Antônio Carlos Magalhães e denúncias de envolvimento em casos de corrupção.

Paciência

Após o período “traumático”, mesmo tendo sido eleito deputado federal depois disso, considerou “mais adequado para sobreviver politicamente” ficar recolhido e ter paciência. “É o mesmo que você ficar sob uma avalanche. Enquanto ela está caindo, não adianta você imaginar que vai devolver as pedras para o alto da montanha. Tem que esperar as pedras caírem totalmente.”

A conversa com Jader foi, segundo interlocutores, decisiva para convencer Dilma a abrir a agenda para algumas das lideranças peemedebistas que têm papéis estratégicos para o governo. Jader tem dito que não é hora de bravata, e sim de identificar os problemas e fazer política. Dilma e Temer definiram que as próximas conversas serão com Eunício, Vital e o governador Sérgio Cabral (RJ).

Um dos objetivos é afastar a possibilidade de uma pré-convenção nacional do PMDB em março, defendida por peemedebistas com posições mais radicalizadas. A estratégia é ir apagando focos de incêndio para evitar um dano maior à aliança nacional. Mesmo não havendo aliança entre PMDB e PT, a coordenação da campanha de Dilma vai buscar a melhor estratégia para fortalecer o palanque nacional.

Senador diz estar cheio de ideias

Onde os dois partidos estiverem disputando, o que se espera é a neutralidade do governo federal, como em Roraima, do senador Romero Jucá (PMDB). Vital quer apoio do PT a seu irmão, Veneziano do Rêgo, que disputará o governo. Eunício e Braga são pré-candidatos a governador. Renan Calheiros, presidente do Senado, quer lançar o filho, Renan Filho, em Alagoas.

A situação mais delicada é a de Sarney, inconformado com a tendência do PT de apoiar Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em resolver pessoalmente o problema do Maranhão.

Pelas sinalizações de dirigentes do PT mais ligados a Dilma, a prioridade é a reeleição da presidente e, para isso, quanto mais aliados candidatos, melhor, se for possível manter uma relação civilizada. Em segundo lugar, o PT quer aumentar as bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado. O partido sonha em recuperar o controle de uma das casas na próxima legislatura.

Durante o jantar, quando Mercadante comentou o silêncio de Jader nos últimos anos, o senador lembrou o caso do primeiro ministro britânico Winston Churchill, que, antes de chegar a esse cargo, submergiu por vários anos, após renunciar ao posto de primeiro lorde do Almirantado, por ser responsabilizado pelo fracasso em confronto no estreito de Dardanellos.

Novos cenários

Jader lembra que, enquanto ele se mantinha nos bastidores, a cena política e os protagonistas mudaram muito. Hoje, é quase um estranho no ninho no novo Senado. Poucos o conhecem e nem de longe ele lembra aquele Jader que bateu boca com ACM no plenário.

Mas garante que é por pouco tempo. Diz estar “cheio de ideias” e pretende exercer o mandato ativamente a partir de agora.

Ele não descarta, inclusive, voltar a ocupar cargo de destaque na bancada, futuramente. “É muito difícil dizer o que vai acontecer. A gente não consegue prever nem na vida privada, quanto mais na política. Mas eu compreendo que os tempos mudaram. Eu me sinto confortável na posição em que eu estou. Tenho cinco anos e meio de mandato pela frente”, diz Jader, que gosta de se definir como “apenas um diabo velho”.

(Valor Econômico)

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