Um dos episódios mais conhecidos da história do Brasil, o golpe de 64, que levou os militares ao poder, teve o apoio dos civis antes mesmo do conhecido 1º de Abril de 1964, data do episódio. O governador de São Paulo na época, Paulo Egydio Martins, falou em depoimento a Comissão da Verdade Vladimir Herzog, na Câmara Cunicipal Paulista, nesta terça-feira (26), que várias pessoas ajudaram com doações para o golpe.
"Se me perguntaram quem não apoiou, não saberia dizer; foram muitos", afirmou o ex-governador, que confirmou que as doações eram importantes para o movimento. "As doações foram fundamentais para os militares chegarem ao poder. O II Exército, aqui em São Paulo, era uma piada e estava literalmente no chão".
Com 85 anos de idade, Martins ainda foi diretor da Associação Comercial de São Paulo, antes de assumir o governo paulista e isso ajudou na reestruturação do II Exército, que recebia doações em dinheiro de pessoas físicas e não de empresas. O ex-governador ainda conclui que a ditadura foi uma obra para evitar que o Brasil virasse um estado socialista, aos moldes de Cuba.
Perguntado sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, Martins conclui que era uma manobra para derrubar o então ditador Ernesto Geisel. "Os militares queriam um regime mais forte, muito mais violento. O próprio Sylvio Frota, ex-ministro do Exército do Geisel, era um deles", disse.
(DOL com informações da revista Carta Capital)
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