O advogado Benedito Dantas Chiaradia, que fez parte da equipe de transição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2010 e atualmente ocupa o cargo de diretor de licitações e contratos do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), é investigado pela Polícia Federal no inquérito sobre o cartel de trens no sistema metroferroviário. A pedido da PF, a Justiça Federal decretou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Chiaradia, ex-diretor administrativo e financeiro da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entre 1999 e 2002 - gestões Mario Covas e Alckmin. A investigação coloca a CPTM como reduto do cartel naquele período.
Chiaradia é alvo do inquérito porque assinou os três contratos da CPTM com a Siemens denunciados em acordo de leniência pela multinacional alemã ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por prática de cartel. Outros três contratos são citados no documento, dois no Metrô paulista e um no Metrô do Distrito Federal.
O outros
Além de Chiaradia assinaram os contratos sob suspeita o ex-presidente da CPTM Oliver Hossepian e os ex-diretores da companhia João Roberto Zaniboni (Operações e Manutenão) e Ademir Venâncio de Araújo (Engenharia e Obras) - estes três foram indiciados pela PF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e cartel.
Ao depor na PF, em 14 de novembro, Chiaradia disse que sobre a licitação da Linha 5 do Metrô, vencida pelo Consórcio Sistrem, “teve alguns contatos com Orthmann (Jan-Malte, executivo da Siemens) e com Cristiane Ache, da Alstom”. Segundo ele, “quem tinha mais contatos com os representantes do Consórcio Sistrem eram Hossepian, Zaniboni e Ademir Venâncio”. Ele afirmou que esses diretores da CPTM, na ocasião, “tinham contato mais estreito e é fato que eram eles que participavam de todas as negociações da licitação, inclusive com as instâncias superiores do Governo, como também com os representantes das empresas interessadas”.
Em relatório sobre movimentações financeiras de Chiaradia, a PF sustenta que o executivo foi diretor administrativo e financeiro do Metrô paulista e da CPTM e é investigado “por eventual acordo de cartel, corrupção e eventual prática de crime de lavagem de dinheiro”.
(AE)
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