O presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou na noite de ontem que a decisão da presidente Dilma Rousseff sobre a reforma ministerial só deve ser tomada depois que ela retornar da viagem internacional ao Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). “Nas duas reuniões (do vice-presidente Michel Temer com Dilma) não houve conclusão e a presidente só vai resolver após a viagem a Davos, Cuba e Venezuela”, disse Raupp.
Embora o PMDB pressione por mais um ministério na Esplanada, Raupp reafirmou que o assunto “é da competência da presidente”. A viagem internacional de Dilma está prevista para o dia 22 de janeiro.
O presidente do PMDB negou que o partido esteja brigando por mais espaço e disse ainda que a reunião da noite de ontem no Palácio do Jaburu continua com o foco nas alianças regionais. “O partido cobra a redução do número de ministérios. Não podemos neste momento brigar por mais cargos”, pontuou.
Sobre os palanques regionais, ele afirmou que o PMDB ainda trabalha com a possibilidade de manter a aliança com o PT do Rio de Janeiro, que planeja lançar para o governo do Estado o senador Lindbergh Farias, contra o atual vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). “No Rio de Janeiro, tendo em vista que o Lindbergh não decolou nas pesquisas, por que não voltar à aliança original?”, questionou.
O PSD na jogada
O PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab está formalmente na disputa por mais espaço na Esplanada dos Ministérios. Kassab, que se deslocou da capital paulista para Brasília, conversou com a presidente Dilma Rousseff reivindicando a cota de participação no governo. “Para o PSD, que foi o primeiro a manifestar apoio formal à reeleição da presidente, (um ministério) seria o esperado”, afirmou o deputado Guilherme Campos (PSD-SP), aliado próximo do ex-prefeito de São Paulo.
Especula-se que a Secretaria Especial de Portos (SEP) da Presidência da República, que já esteve sob o domínio do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pode ser destinado ao PSD.
PMDB recorre a Lula para melhorar a relação com Dilma
Insatisfeitos com os rumos da anunciada reforma ministerial e sem acordo para as disputas nos Estados, dirigentes do PMDB vão pedir socorro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar apaziguar a relação com a presidente Dilma Rousseff.
Lula está em férias, mas retornará às atividades no fim do mês. Para uma ala do PMDB, somente o ex-presidente - articulador político da campanha da reeleição de Dilma - pode ajudar a solucionar o conflito.
A nova crise começou porque, em conversa mantida com Temer na segunda-feira, Dilma disse a ele que não entregará ao PMDB o Ministério das Cidades, hoje controlado pelo PP, e que também terá dificuldades para substituir agora o afilhado do governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), na Integração Nacional. O indicado dos irmãos Gomes assumiu a pasta em setembro, depois que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável adversário de Dilma na eleição, entregou os cargos que o PSB mantinha na equipe para ficar mais à vontade na disputa pelo Planalto.
Responsável pelas obras de transposição do Rio São Francisco, a Integração é uma das pastas mais cobiçadas da Esplanada, com previsão de orçamento de R$ 8,5 bilhões. Com cinco ministérios sob o seu comando, o PMDB insiste em desbancar "a turma dos irmãos Gomes" - Ciro e Cid - da Integração para dar a vaga ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).
(AE)
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