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Ministro defende convivência com 'rolezinhos'

Nos últimos dias, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, tem acompanhado atentamente à evolução das ações pelo País envolvendo os chamados “rolezinhos”. Em entrevista a blog do portal Estadão.com, ele diz que

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Nos últimos dias, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, tem acompanhado atentamente à evolução das ações pelo País envolvendo os chamados “rolezinhos”. Em entrevista a blog do portal Estadão.com, ele diz que é preciso criar uma convivência pacífica entre os meninos que participam dos rolezinhos e a sociedade, sem que shoppings tenham prejuízo.

“Se eu falar que tem uma resposta é bobagem”, afirma. “O que fizemos na prática: tentamos emitir sinais. Tanto na fala pública quanto conversando com o Fernando (Haddad). Pedimos para o pessoal conversar com a direção dos shoppings. Também conversamos com alguns governadores para tentar orientar as polícias a evitar o que falei de jogar gasolina no fogo”, explica Carvalho, em referência à repressão. O ministro quer evitar a radicalização.

Carvalho reconhece como legítima a preocupação dos shoppings com eventuais prejuízos. “Já fecharam shoppings, mas não vão poder fechar sempre porque o prejuízo vai ser muito grande. O ideal terá sido a gente conseguir, sem repressão, dar uma orientada com a molecada, para tentar dizer: olha, vamos fazer em turma aqui.”

O ministro admite que tanto o “rolezinho” quanto os protestos que varreram o País em junho do ano passado são fenômenos absolutamente novos e de difícil compreensão. “O que me impressiona, e eu já falo com um olhar quase cansado, é como está tendo novidade”, afirma. “Nós estamos acostumados a lidar com os movimentos tradicionais. A gente fez escola nisso. Uma relação difícil, sempre tensa”, lembra.

Para o ministro, a violência nos protestos de junho causou medo e fez muitos participantes recuarem. “Ficou praticamente só no Rio e alguma coisa em São Paulo. Aquela continuidade muito localizada na questão (pela saída) do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e aquela ação dos black blocs, mais clássica, mais dura. Para mim, o fato de ter essas novidades significa exatamente que o processo de transformação da sociedade brasileira é maior, mais profundo, do que nos damos conta.”

Na avaliação de Carvalho, a mobilidade social ocorrida no País nos últimos anos contribui para a compreensão do “rolezinho”. “Essa molecada da periferia, de repente, viu a possibilidade de ir para o ProUni, de ter escola técnica próxima de casa.” O ministro diz também que o governo estimula o consumo. “Um erro nosso. Em vez de estimular o transporte coletivo, incentivamos a comprar um carro. E nós estimulamos isso”, explica.

Os lojistas pedem reunião para discutir o assunto

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) enviou um ofício ao governo federal solicitando uma reunião para discutir os chamados "rolezinhos". A justificativa para o encontro, de acordo com a associação, é o prejuízo dos lojistas, que têm fechado as portas até em dias de grande movimento.

Apenas neste fim de semana, três shoppings de luxo interromperam o funcionamento nas duas maiores cidades do País. Em São Paulo, o shopping JK Iguatemi, na zona sul da cidade, fechou as portas às pressas no início da tarde de sábado com o objetivo de impedir que cerca de 150 manifestantes que faziam um ato em apoio aos "rolezinhos" entrassem no local.

Ontem, em nota, o JK Iguatemi negou que tenha agido de forma preconceituosa e racista, como acusaram os manifestantes. "O shopping center JK afirma que todas as pessoas, independentemente de cor, classe ou credo, são bem-vindas ao empreendimento. O shopping repudia veementemente qualquer acusação de preconceito."

No Rio de Janeiro, o Shopping Leblon e o Rio Design Center, ambos no Leblon, na zona sul, não funcionaram no domingo por temor de que uma manifestação marcada em apoio ao movimento de São Paulo acabasse em confusão.

O Shopping Leblon anunciou que não abriria domingo na noite de sábado, após a Justiça ter concedido o direto de manifestação ao grupo de advogados Habeas Corpus. Na prática, a decisão anulava a liminar obtida anteriormente pelo shopping para impedir o protesto.

Com o fechamento, os cerca de 50 ativistas que estavam em frente no local promoveram na rua um baile funk com churrasco. Não houve registro de confrontos nem prisões.

No Rio Design Center, uma das entradas foi coberta por tapumes.

Direitos Humanos

A ministra da secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário (PT), disse que o "rolezinho" não é um problema nacional. Em entrevista após a instalação do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa em Brasília, a ministra afirmou também que não há necessidade de o governo convocar os líderes do movimento.

"Não estamos vendo como um problema de forma que tenhamos que ficar chamando líderes para reuniões. Não é um problema do nível federal, do plano nacional. É uma questão que estamos acompanhando como uma disposição da juventude de buscar também direito de conviver em todos os espaços", afirmou.

Questionada sobre a reação de algumas entidades representantes de shoppings, que buscam um diálogo com o governo sobre os reflexos dos rolezinhos, a ministra considerou que a questão deve ser resolvida no âmbito local. "A estrutura do comércio no País no âmbito federativo é uma responsabilidade do plano local. Todos sabemos que o licenciamento, funcionamento das lojas é um problema que as prefeituras devem lidar", afirmou.

Para Maria do Rosário, a preocupação deve ser quanto ao que está se oferecendo aos jovens como espaços, como praças e lugares de convivência.

“Jovem com tênis de R$ 1 mil é considerado bandido”

Não houve “rolezinho”, mas um dos mais conhecidos organizadores estava lá. Jonathan David, o MC Chaverinho, passou domingo pelo Shopping Center Penha, na zona leste de São Paulo. O cantor de funk, que completa 21 anos nesta semana, reuniu cerca de 30 jovens numa das entradas do centro de compras.

A administração do Shopping Penha decidiu reforçar a segurança e contou até com apoio de uma base móvel da Polícia Militar (PM). MC Chaverinho, no entanto, afirma que a violência de outros encontros não tem nada tem a ver com a brincadeira, que acontece com frequência em diversos pontos do País. “Defendo o lado da periferia. Também temos a vontade de comparecer em shoppings”, afirmou. Ele sai em defesa da presença policial: “O lado ruim (dos ‘rolezinhos’) é a falta de segurança pública. Se um lugar tem mil pessoas, como cuidar delas com duas viaturas?”, questiona.

Com tênis de marca, óculos espelhados e corrente no pescoço, MC Chaverinho afirma que o funk deu a ele os objetos que tanto queria e não podia comprar. “O shopping é o local onde a gente se identifica. Tenho vontade de consumir, comer um McDonald’s, comprar um tênis.” Ele lamenta que exista preconceito entre outros frequentadores dos espaços destinados ao consumo: “Só porque o jovem (da periferia) tem um tênis de R$ 1 mil já é considerado bandido”, diz.

É deste tema, o consumismo, que falam as letras do MC. “É o que a gente sofreu para chegar onde está. Hoje, tenho a ambição de ter uma coisa que vale uma grana.” O clipe de uma das músicas, Nossa Vitória, exibe marcas de perfumes famosos além de imagens de Chaverinho com um bolo de cédulas na mão.

O jovem Bruno Dias do Nascimento, de 17 anos, é um dos fãs que participaram do encontro. Sobre os “rolezinhos”, Bruno diz: “A gente que é dessa idade gosta de extravasar”. Já a fã Taís Oliveira, de 21 anos, defende que a “arruaça” durante “rolezinho” em dezembro no Shopping Metrô Itaquera, também na zona leste, foi fruto do oportunismo de quem não fazia parte do encontro.

Em nota, a assessoria do Shopping Center Penha afirmou que estava ciente do encontro de fãs do MC Chaverinho. “O Shopping Penha tomou conhecimento do evento por meio das redes sociais e a comemoração (do aniversário do MC) foi realizada do lado externo do empreendimento com um pequeno número de fãs.” O centro de compras funcionou em horário normal.

Baixa presença

A concessão de liminar na Justiça contra o “rolezinho” não impediu que 50 jovens fossem ao Shopping Metrô Tatuapé, também na zona leste da capital, nesse fim de semana. Apesar da decisão judicial afixada nas entradas, prevendo multa de R$ 10 mil aos participantes em caso de tumulto, os seguranças foram orientados a acompanhar sem qualquer intervenção. Os adolescentes caminharam em grupos dispersos e não houve registro de violência

Na página do evento do Facebook, organizado pelo produtor de bailes funk Duda Mel, houve adesão de pelo menos 1,2 mil internautas. “Esse é o décimo ‘rolezinho’ do qual participo”, afirmou Duda Mel, que diz que o evento é rotineiro na capital paulista.

(Diário do Pará)

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