Os novos líderes na Câmara dos Deputados neste ano - responsáveis por decidir a pauta de votações na Casa e orientar as bancadas nas votações - foram escolhidos pelas legendas para atender os interesses eleitorais das cúpulas partidárias.
Enquanto o novo líder do PT, deputado Vicentinho (SP), pretende ser um elo de reaproximação do governo Dilma Rousseff com o movimento sindical, o tucano Antonio Imbassahy (BA) foi bancado pelo possível candidato à Presidência do PSDB, Aécio Neves (MG), para fortalecer a aliança com o DEM e tentar diminuir a vantagem da presidente no Nordeste.
Mesmo com uma bancada menor, o PSB aposta num nome do núcleo político do governador pernambucano Eduardo Campos para repercutir no Legislativo a plataforma pessebista à presidência.
Se no PT a perspectiva é de estreitar o diálogo com as bases sindicais, entre os tucanos a eleição do baiano Antonio Imbassahy tem por função cimentar a construção da aliança com o Democratas e ainda aumentar o poder de fogo da legenda no Nordeste.
Os tucanos apostam na boa relação de Imbassahy com o atual prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), como uma ponte para garantir o tempo de televisão dos Democratas ao senador Aécio Neves.
Com uma bancada bem menor do que as que estarão por trás de Dilma e Aécio, de 24 deputados, o PSB de Eduardo Campos vai escolher o nome para conduzir a legenda na Câmara somente no início de fevereiro. O posto deve ficar com o atual líder, Beto Albuquerque (RS), ou com o presidente do PSB em Minas Gerais, Júlio Delgado, ambos próximos ao governador de Pernambuco.
PMDB
O principal partido aliado da presidente Dilma Rousseff reconduziu o deputado Eduardo Cunha (RJ) à liderança da bancada no final do ano passado, reforçando um nome que protagonizou diversos enfrentamentos com o governo no ano passado, sendo o mais crítico deles durante a tramitação da MP dos Portos. Serve, assim, como um contraponto ao que é considerado por peemedebistas adesismo exagerado do vice-presidente Michel Temer ao tratar das questões partidárias e eleitorais.
Partido trabalha para eleger mais deputados
Com a vice-presidência nas mãos de Michel Temer, o PMDB trabalha para eleger um número de deputados maior do que no ano anterior e parlamentares ouvidos pela reportagem defendem Cunha por encampar as demandas da bancada na executiva nacional. “Ele (Cunha) se preocupa com os palanques locais e coloca as questões regionais acima de questões nacionais. Para aumentar a bancada ele precisa construir um projeto coletivo”, disse Lúcio Vieira Lima, cacique do PMDB baiano. “O Eduardo Cunha tem acompanhado muito de perto e tem ajudado nas propostas para fortalecer os palanques regionais”, acrescenta Danilo Forte, deputado federal do PMDB cearense.
(Diário do Pará)
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