Caçar investimentos foi a atividade principal da presidente Dilma Rousseff ontem, nas montanhas suíças. O Brasil é uma das mais amplas fronteiras de oportunidades e precisa do capital privado para fortalecer e expandir sua economia, disse a presidente numa sessão do Fórum Econômico Mundial.
Num discurso de pouco mais de meia hora, ela procurou blindar todos os pontos mais vulneráveis: o governo respeita contratos, tenta simplificar a atividade empresarial, combate a inflação e procura manter as contas publicas em bom estado, assegurou. Um recado eficiente para quem nunca ouviu falar da contabilidade criativa. O dia foi dedicado também a reuniões fechadas com empresários.
O investimento externo, disse a presidente quase no fim do discurso, sempre foi bem recebido e seu governo tem “tomado medidas para facilitar ainda mais essa relação”. Em seguida, recomendou: “Aspectos da conjuntura recente não devem obscurecer essa realidade”.
Ela se dispensou de enumerar esses aspectos, mas a referência à conjuntura talvez dê algumas pistas. Podem ser três anos com crescimento anual médio próximo de 2%, muito baixo para um emergente, e a inflação muito longe da meta.
Seu discurso passou quase sempre longe desses “aspectos”, mas a presidente insistiu em realçar o compromisso com a estabilidade dos preços. Não há transigência com a inflação, o objetivo é sempre o “centro da meta”, os números finais têm ficado na margem de tolerância e “a estabilidade da moeda é hoje um valor central do País”, afirmou. Destacou também a redução da dívida pública, tanto líquida quanto bruta.
Conjuntura
Na maior parte do tempo, a presidente procurou fugir dos temas da conjuntura e, portanto, dos piores resultados de seus três anos de governo. Tentou manter o foco nas questões de médio e de longo prazos, olhando tanto para trás quanto para a frente, Enfatizou o resgate de 36 milhões de pessoas da extrema pobreza, a elevação da renda mediana das famílias, a ampliação da classe média, o baixo desemprego e os programas de inclusão educacional e acentuou o enorme potencial de consumo dessa população, com acesso recente aos confortos dos equipamentos modernos.
(AE)
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