A insegurança nas agências bancárias estão atingindo trabalhadores e clientes por todo o Brasil. Sejam ações rápidas, como as "saidinhas bancárias", ou assaltos cinematográficos, como o ocorrido na cidade de Viseu, interior do Pará, na madrugada desta quinta-feira (30), em que um bando explodiu e assantou caixas em duas agências, as práticas têm ocorrido com maior frequência e vêm assustado a população.
Em dezembro de 2013, outro caso foi registrado em São Domingos do Capim, nordeste do Pará. Uma quadrilha fortemente armada explodiu a agência do Banco do Brasil e roubou mais de um milhão de reais, dinheiro que seria usado para pagar o 13º do funcionalismo público.
Em esperança de que as instituições financeiras aumentem os investimentos para a segurança, representantes do setor e dos vigilantes bateram hoje (30) à porta do governo federal.
Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e da Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) apresentaram os dados da nova Pesquisa Nacional de Mortes em Assaltos Envolvendo Bancos, lançada nesta semana, e pediram à secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, que a pasta adote providências para alterar este cenário.
“Projetamos que teríamos um número de assassinatos maior e, infelizmente, aconteceu o que projetamos [aumento de assassinatos nas agências bancárias]. Se já sei que isso está ocorrendo, tenho que tomar medidas”, afirmou o presidente da Contraf, Carlos Cordeiro. Segundo ele, depois da conversa com a secretária, o grupo saiu com a promessa de que o governo editará uma portaria obrigando os bancos a fazer mudanças nas estruturas.
A saidinha de banco é o nome popular dado ao golpe em que o criminoso observa as operações feitas dentro das agências e rouba, na saída, os clientes que sacaram alguma quantia mais significativa. O crime provocou 32 mortes, que representa 49% do total de 65 assassinatos em assaltos a bancos registrados no ano passado.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Uma das sugestões que serão discutidas é a instalação de biombos – estruturas semelhantes a tapumes que, colocadas nas laterais do caixa, impediriam que qualquer pessoa observasse a operação que o cliente está fazendo. “Onde isso foi efetivado, por leis municipais ou estaduais, como em Belo Horizonte, em João Pessoa e no Recife, não temos mais registro dos crimes de saidinhas, zeramos essa prática”, disse Cordeiro.
No Pará, de acordo com a Lei Estadual 7610, publicada no Diário Oficial da União em 31 de outubro de 2012, as agências bancárias necessitam, obrigatoriamente, instalar barreiras visuais para proteger as transações
O presidente da CNTV, José Boaventura Santos, ressaltou que essa portaria pode ser uma medida paliativa para minimizar os crimes, mas defendeu a revisão completa da lei que rege a segurança em agências bancárias (Lei 7.102, de 1983). “A portaria vai ajudar agora, porque não temos como esperar o tempo de tramitação legislativa para revisão da lei. Mas é uma lei de 1983, que precisa ser atualizada”, completou.
(DOL com informações da Agência Brasil)
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