O box de uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, deste domingo (9), tem provocado polêmica nas redes sociais. Na reportagem “Medo de agressão faz gays andarem em grupo em SP”, há dicas de segurança para o público gay, como andar em grupo, evitar locais abertos, não dar “pinta” e não beijar o namorado ou andar de mãos dadas.
Muitos internautas se mostraram indignados com as dicas. “P***, Folha! Eu não vou evitar de demonstrar meu afeto em local público para evitar ataques de homofóbicos doentes. Ceder e se conformar com uma vida de discrição e medo é tudo o que os agressores querem!”, criticou Vinícius Bocato, um dos primeiros a compartilhar a reportagem.

As dicas do jornal foram ironizadas no Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)
O internauta Sanny Moura também criticou as dicas de segurança, achando-a mais parecida com um manual “volte para o armário”. “Isso também serve para mulheres que são abusadas: não usem saias curtas, coloquem burcas, não usem decotes e se puder fiquem em casa limpando os móveis. Ahhh, quase ia me esquecendo, negros que sofrem de preconceito, por favor, não esqueçam de usarem uma base para clareamento de pele, faz aquela progressiva para não mostrar as raízes afro e use sempre fones de ouvidos para não escutar palavrões ou xingamentos sobre sua cor de pele”, zomba.
O colunista do blog Blogay, da Folha, Vitor Ângelo, opinou em seu perfil no Facebook. “As agressões contra LGBTs sempre aconteceram, mas agora as pessoas as enxergam como tal, começamos a perceber a homofobia como algo fora da normalidade, o que não acontecia antes ("bateu porque era viadinho", "levou um soco porque me olhou de forma estranha" e assim por diante)”.

Assunto também foi comentado no Twitter (Foto: Reprodução/Twitter)
Já o colunista Márcio Caparica, do site “Lado Bi”, comparou as dicas do jornal com caixas eletrônicos. “No século passado, o caixa 24 horas realmente funcionava 24 horas. Faz tempo. A gente nem se lembra mais de que houve uma época em que se conseguia tirar dinheiro às duas da madrugada. Mas daí uma onda de sequestros-relâmpago e o racionamento de energia de 2002 fizeram com que todos achassem muito razoável que se desligassem os caixas eletrônicos das 22h até as 6h do dia seguinte. E o que era uma solução de emergência se tornou normal. Sequestro relâmpago! Bandidos estão forçando os usuários dos caixas a retirar dinheiro contra sua vontade! O que fazer? Aumentar a segurança dos caixas? Não! Vamos privar a população do país inteiro desse serviço”.
A Folha informou que o quadro não teve como objetivo indicar estratégias de segurança, mas mostrar táticas adotadas por algumas pessoas com medo da violência, como mostra a reportagem. Segundo o jornal, por um erro de edição foi suprimido do quadro o subtítulo que explicava isso.
(Antonio Santos/DOL)
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