Motoristas e cobradores fecharam ao menos três terminais de ônibus na cidade de São Paulo, na manhã desta terça-feira (20). Segundo a SPTrans, os terminais Pirituba e Pinheiros, na zona oeste, e Princesa Isabel, na região central, foram travados pelos manifestantes.
De acordo com o sindicato da categoria, trata-se de um protesto de um grupo dissidente que não concorda com o acordo salarial fechado com as empresas de ônibus. A proposta acordada com as companhias prevê um reajuste salarial de 10%, além de aumento nos valores do vale-refeição e na participação nos lucros.
Atualmente, o piso salarial de motoristas é de R$ 1.955, e o de cobradores, R$ 1.130. A proposta de reajuste salarial foi aprovada pela categoria em assembleia esta semana.
"A inflação passou de 6%, com 10% [de aumento] a gente não recebe nada", disse um motorista que não quis se identificar. Segundo Edvaldo Santiago, secretário de finanças do Sindicato dos Motoristas, a entidade que representa a categoria foi "pega de surpresa" com a manifestação.
"É uma surpresa isso. A votação foi unânime ontem. Ainda vamos discutir coisas como o aumento para quem dirige [ônibus] articulado", afirmou Santiago. De acordo com ele, há uma reunião com as empresas de ônibus marcada para amanhã e outra para quinta-feira para debater pontos finais do reajuste salarial.
Ainda não há um número de pessoas afetadas por este protesto que começou na região do Largo Paissandu, que está tomada pelos manifestantes. Funcionários da empresa Santa Brígida lideram o protesto.
Os manifestantes estacionaram os coletivos também na avenida Rio Branco, próximo ao terminal Princesa Isabel, na faixa exclusiva. Apesar de não impedir o trânsito de carro na via, há congestionamento na avenida.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) às 11h havia 2 km de lentidão na via. A cidade tem 70 km de ruas e avenidas congestionadas, índice considerado alto para o dia e para o horário.
A SPTrans informou, por meio de nota, que a Polícia Militar foi acionada e que vai solicitar ao Ministério Público a apuração das responsabilidades sobre as paralisações registradas na manhã desta terça-feira. "A SPTrans repudia com veemência os fatos ocorridos, como a retirada de chaves dos coletivos, impedindo sua circulação, considera os atos sabotagem ao sistema e irá agir com o rigor necessário à apuração e punição dos envolvidos e responsáveis", informou a nota.
(Folhapress)
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