Fábio Raposo, 22, e Caio Silva de Souza, 19, exerceram o direito de ficarem calados durante audiência ocorrida nesta sexta-feira (23), no 3º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio.
Raposo e Souza são réus no processo do rojão que atingiu e matou o cinegrafista Santiago Andrade durante protesto contra o aumento das passagens no Rio, em fevereiro.
A audiência faz parte da fase de instrução e julgamento, quando são coletados depoimentos de testemunhas de acusação e defesa. Posteriormente, os jovens podem ser submetidos a júri popular.
Orientados pela defesa, os réus optaram por ficar calados. O motivo foi que o juiz da 3ª Vara Criminal, Murilo Kieling, negou pedido de substituição de duas testemunhas que falariam em favor de Caio Silva de Souza. Inicialmente, seriam sua mãe e um vizinho do rapaz.
O advogado de Souza, Antônio Pedro Melchior, explicou que as duas testemunhas dariam apenas detalhes da personalidade do jovem e não iriam contribuir para entender o que aconteceu no dia em que os dois réus acenderam o rojão que atingiu o cinegrafista.
A escolha de duas testemunhas - o réu teria direito a até 16 - teria sido feita pelo antigo advogado do caso Jonas Thadeu, que deixou o caso.
Melchior afirmou que tinha seis pessoas no tribunal dispostas a testemunhar à favor de Souza. O juiz, contudo, indeferiu. Com o silêncio dos jovens, a audiência durou pouco mais de dez minutos.
A defesa argumenta que faltam vídeos e provas requeridas tanto pelo Ministério Público quanto pela defesa que ainda não foram anexadas ao processo.
A audiência foi acompanhada por familiares e amigos dos réus, que permaneceram algemados na maior parte do tempo. Apenas quando foram colocados diante do juiz que tiveram as algemas retiradas.
Raposo e Souza respondem por homicídio doloso (intencional) triplamente qualificado --por motivo torpe, sem chance de defesa da vítima e uso de explosivo. Os dois respondem ainda pelo crime de explosão.
Se condenados, poderão passar 30 anos na cadeia.
(Folhapress)
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