A Lei da Palmada, aprovada nesta quarta-feira (4) no Senado, deixou muitos pais na dúvida sobre que tipo de sofrimento físico causado à criança poderá resultar em punição.
"O que posso fazer agora? Também gostaria que eles dessem essa explicação". Essa é a dúvida do radialista John Ney Burjack, pai da menina Nicolly, de sete anos.
Segundo John Ney, a intervenção do Estado pode atrapalhar na educação de dentro de casa. "Sou contra porque é um meio do Estado se intrometer demais na criação dos filhos. Eu quero ter o direito de deixar minha filha de castigo quando for preciso e, se for o caso, dar umas palmadas não vai matá-la. Eu levei umas palmadas quando criança e hoje estou aqui muito bem, mas conheço muitos que foram criados cheios de 'não me toques' e hoje são cheios de problemas", destacou.
A questão divide opiniões. A administradora Renata Godinho acredita que a violência deve ser combatida nos lares. "As vezes, questões banais geram logo para agressão. Talvez a lei não crie mudanças a curto prazo, mas as pessoas vão perceber que conversando é mais fácil de se revolver problemas, sem partir para violência", diz.
Quem defende a lei
- é possível criar limites sem bater
- haverá campanhas educativas
- projeto deve trazer mudança cultural e vai diminuir a violência doméstica
- Agressão substitui a conversa e prejudica o crescimento saudável da criança
- pais não serão punidos, mas receberão apoio para que saibam como educar os filhos
Quem é contra a lei
- Estado irá interferir excessivamente no âmbito das decisões familiares
- Sem palmadas, pais criarão filhos sem limite
- lei pode gerar onda de denuncismo
- palmada é o último recurso e não pode ser tratada como violência pesada
- pais poderão receber punição,porque palmada será comportamento ilegal
AGRESSIVIDADE
De acordo com Quézia Bombonatto, da Associação Brasileira de Psicopedagogia, optar pela palmada para repreender o filho pode alimentar uma agressividade da criança.
"Uma conversa é mais eficiente e evita um ciclo de violência. Quando a criança desafia o pai e diz que o tapa não doeu, o que ele vai fazer? Dar outro com mais força?", indaga.
(DOL)
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