Ao procurar um posto da Polícia Federal em Salvador para solicitar um passaporte, na quarta-feira (16), a jornalista Lília de Souza, 34, teve de prender os cabelos estilo "black power" para fazer a foto que será usada no documento.
Segundo ela, após várias tentativas de tirar a foto com os cabelos soltos, uma policial disse que o sistema eletrônico não estava aceitando a imagem por causa do cabelo.
"Fiquei muito constrangida. Eu ainda insisti em fazer a foto com o cabelo solto, a policial tentou algumas vezes e o sistema não permitiu", escreveu Lília no Facebook.
A jornalista contou que prendeu o cabelo com um elástico emprestado pelos policiais e o sistema funcionou.
"Saí de lá arrasada", escreveu Lília. Ela contou que, depois de chorar do lado de fora do posto, voltou ao local para protestar.
Segundo a jornalista, as policiais disseram que não se tratava de racismo, mas que o sistema de fotos é problemático e, por isso, às vezes também é difícil fazer imagens de pessoas muito negras. Nesses casos, é preciso clarear um pouco a imagem.
Ela ressaltou No Facebook que não tem nenhuma queixa contra as três policiais que a atenderam, mas sim em relação ao sistema eletrônico. Para Lília, há algo errado num sistema que não aceita o seu cabelo do jeito que ele é.
OUTRO LADO
A Polícia Federal informou que adota um sistema com padrão da Organização da Aviação Civil Internacional, que exige requisitos mínimos para a identificação dos viajantes.
Segundo a PF, o sistema pode reprovar uma foto por várias razões, o que exige que a imagem seja refeita em situações como cabelo solto, na frente dos olhos ou com muito volume, olhos fechados, entre outras.
"Os chips desses passaportes armazenam inúmeros dados biográficos e vários requisitos são exigidos para uniformização de procedimentos", diz a nota.
(DOL com informações da Folhapress)
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