A presidente Dilma Rousseff (PT) e seu padrinho político, o ex-presidente Lula, fizeram ontem críticas veladas ao discurso da adversária Marina Silva (PSB).
Dilma rebateu declarações de Marina de que pretende governar com “os melhores do PT e do PSDB” e disse que não basta “a pessoa ser boa”, é preciso “compromisso com distribuição de renda”.
“Essa história que você acha os bons ou os melhores sem aferição não está certa não. Como é que eu vou fazer uma política da agricultura familiar com quem não defende a agricultura familiar?”, disse Dilma em Brasília, durante evento para agricultores familiares da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura).
Após comparar as gestões de PT e PSDB na Presidência, ela disse que “os bons desse país são aqueles que têm compromisso com a distribuição de renda e inclusão social”.
Dilma não chegou a citar nominalmente Marina Silva. No domingo, já havia criticado a ex-colega da Esplanada dos Ministérios - ao chamar de “temeridade” a afirmação de Marina de que o Brasil não precisa de gerente. Depois de tratar do embate entre os governos PT e PSDB, a petista afirmou ainda que “estamos diante de uma campanha que vai estar baseada na mentira”.
Ela recebeu apoio da Contag, que pediu a continuidade da reforma agrária. A presidente afirmou que vai continuar priorizando dotar os assentamentos de infraestrutura em vez de desapropriar grande número de terras -motivo de embate com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), que pede a agilidade nas desapropriações.
“POLÍTICA”
Em discurso ao final de uma carreata do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, em São José dos Campos, Lula reforçou a estratégia petista de desconstruir a adversária.
Disse que não é possível “alguém governar fora da política” nem acreditar “quando o cara faz apologia da não política”. Marina tem como uma de suas principais bandeiras a defesa do que chama de “nova política”, além de críticas a alianças políticas e a estruturação dos partidos.
“Se alguém quiser votar em alguém que não é político, em primeiro lugar: não acredite quando o cara faz apologia da não política. Não acredite porque não é possível alguém governar fora da política”, afirmou Lula.
Em meio às dificuldades do PT para fazer a campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo decolar, Lula fez ataques ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à imprensa, além de reclamar do eleitor paulista.
Segundo o ex-presidente, o tucano não responde por nada que acontece no Estado. Lula citou a crise de desabastecimento do sistema Cantareira e também o aumento do número de roubos no Estado.
O ex-presidente cobrou que Padilha explore mais a corrupção em São Paulo. “Você não tem que ter raiva, você não tem que demonstrar ódio, mas eu acho que você tem que ser mais duro com a bandalheira que está acontecendo neste Estado. Esses dias, eu li no jornal: aumentou o roubo de carros 41%, o governador não tem culpa. Os bandidos da cadeia estão comandando o crime aqui fora. O governador não tem nada, não é com ele. Ou seja, nada que acontece neste Estado, ele tem culpa. Ele não aparece na televisão respondendo um único problema. Aparece para falar de coisas boas”, provocou.
CASO DO VÍDEO
A campanha da presidente Dilma pediu ao Google para tirar do ar um vídeo que mostra o ex-presidente Lula pedindo votos para candidata Marina Silva.
O vídeo original foi gravado por Lula em apoio a Marina Santana, candidata do PT ao Senado por Goiás. A montagem mostra a logomarca da campanha de Marina Silva no início e no fim do vídeo.
Além do pedido ao Google, a campanha de Dilma vai ingressar com representação na Justiça Eleitoral por propaganda eleitoral irregular para que o Tribunal Superior Eleitoral apure a autoria do vídeo.
COMPROMISSO
Após comparar as gestões de PT e PSDB na Presidência, Dilma disse que "os bons desse país são aqueles que têm compromisso com a distribuição de renda e inclusão social".
(Folhapress)
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