O paciente Souleymane Bah, 47, primeiro caso suspeito de ebola no Brasil, disse que não teve contato com ninguém infectado pelo vírus, segundo o ministro Arthur Chioro (Saúde). O resultado do teste que pode confirmar ou descartar o vírus deve ser divulgado até a manhã deste sábado (11).
O alerta sobre o caso suspeito foi dado após Bah dar entrada em uma unidade de saúde de Cascavel (PR) na tarde desta quinta-feira (9), dizendo ter tido febre, dor de garganta e tosse.
Ele chegou ao Brasil, vindo da Guiné (um dos países mais afetados pelo vírus) no dia 19 de setembro, via Guarulhos, segundo o governo federal.
Apesar de não apresentar quadro febril quando chegou à UPA, foi classificado como o primeiro caso suspeito de ebola no país por seu histórico de viagem nos 21 dias anteriores e pelo relato de febre.
Bah, nacional da Guiné, foi isolado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e transferido em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio. No local, foi colhido material para o exame que vai confirmar ou descartar a infecção. Um exame de confirmação será feito dois dias após o primeiro.
Nesta sexta (10), o ministro voltou a afirmar que o paciente não apresenta febre ou outros sintomas típicos da doença e tem quadro estável.
Se descartada a suspeita com os dois exames laboratoriais, o episódio servirá como um grande "test drive" para averiguar o alerta dos serviços de saúde e cada etapa do protocolo de identificação e tratamento de um potencial caso de ebola.
CONTATOS
Técnicos do ministério enviados ao Paraná identificaram, em conjunto com a secretaria local, 64 pessoas que estiveram em contato com Bah desde o início dos sintomas. Dessas, 60 estavam dentro da UPA e quatro compartilhavam a moradia com o paciente.
Três dos contatos da UPA são profissionais de saúde que tiveram acesso direto a Bah e terão suas temperaturas conferidas duas vezes ao dia; os demais terão a temperatura medida uma vez por dia. Até o momento, nenhum apresentou sintomas.
O ministério classifica como "baixo" o risco de todos os contatos.
O governo mantém as ações para a identificação do ebola no Brasil. Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde, argumenta que medidas como o controle de temperatura de viajantes, na chegada ao país, têm pouco efeito prático, já que eventuais passageiros infectados podem chegar assintomáticos. Para o secretário, é mais eficaz fortalecer alertas nos serviços de saúde.
AJUDA
Segundo o ministro Arthur Chioro (Saúde), o Brasil vai ampliar a ajuda humanitária a Guiné, Serra Leoa e Libéria, com a oferta de mais dez kits para o atendimento às vítimas -suficientes, cada um, para cuidar de 500 pacientes por três meses- e cerca de R$ 13,5 milhões em arroz beneficiado e feijão.
Uma nova ajuda em dinheiro deve ser anunciada na próxima semana, para se somar a US$ 500 mil já doados.
(Folhapress)
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