O presidente executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, empregou ontem palavras duras para definir o momento atual vivenciado pelo setor no Brasil, marcado por uma crise que, no limite extremo, poderá até mesmo inviabilizar a cadeia produtiva do alumínio no Brasil. Dentre os fatores responsáveis pela crise, dois são considerados determinantes para a extrema fragilização da indústria nacional, segundo admitem os executivos e técnicos da área.
Um, a queda acentuada de preços dos produtos que integram a cadeia do alumínio a partir da crise financeira global de 2008. A lenta recuperação dos preços, segundo o presidente da Abal, permite prever apenas, com algum otimismo, possíveis melhoras no futuro, mas não é suficiente para contornar as gravíssimas dificuldades que hoje afetam o setor no Brasil como um todo.
Além da questão dos preços, no front externo, a indústria de alumínio enfrenta também, internamente, adversidades quase incontornáveis, como as representadas pelo custo crescente da energia elétrica. Indagado sobre as perspectivas da indústria do alumínio no Brasil, na hipótese de persistirem as adversidades atuais, o presidente da Abal foi incisivo. “Eu prefiro não acreditar que nada será feito; mas, se isso acontecer, dentro de algum tempo nós não poderemos mais ter diagnóstico, mas somente autópsia da indústria do alumínio no Brasil”, sentenciou.
Milton Rego disse que, embora seja confiante por natureza, está cada vez mais difícil ser otimista. “O governo deve analisar com urgência os fatores que afetam a competitividade da indústria nacional e reavaliar a questão da energia elétrica, tanto pelo lado do custo quanto da oferta”.
E isso, acrescentou, não somente para a indústria de alumínio, que não pleiteia privilégios e nem benefícios exclusivos, mas para todos os eletrointensivos que operam no país.
COMPETITIVA
Milton Rego disse que seria ingênuo pensar que o Brasil vai ter uma indústria manufatureira competitiva se não puder contar com uma indústria de base igualmente competitiva. É este, conforme frisou, o perigoso caminho que está sendo trilhado pelo Brasil, que hoje já importa alumínio.
“Imagine por hipótese, apenas para efeito de raciocínio, na possibilidade de se instalar uma montadora de veículos. Isso nunca vai acontecer se ela não puder contar com uma rede de fornecedores de componentes competitivos. E essa rede, por sua vez, também vai precisar, da mesma forma, de insumos e matérias primas a preços igualmente competitivos”, enfatizou.
O presidente da Abal destacou que, entre 2005 e 2007, justamente o período que antecedeu a eclosão da crise internacional, a indústria do alumínio investia por ano, no Brasil, uma média de R$ 6 bilhões. Nos últimos três anos, esses valores despencaram – foram R$ 2,7 bilhões em 2012, R$ 2,6 bilhões em 2013 e R$ 2,2 bilhões previstos para 2014.
Não por acaso, a produção nacional desabou, estando hoje na faixa de 950 mil toneladas/ano para uma capacidade produtiva de 1,6 milhão de toneladas. Isso significa dizer que a indústria brasileira de alumínio está operando hoje com 45% de sua capacidade ociosa.
Workshop
O presidente da Abal foi o primeiro palestrante do 2º Workshop Bauxita & Alumina da Amazônia, evento aberto ontem pela manhã dentro da programação da Exposibram, a Exposição Internacional de Mineração.
Milton Rego lançou na ocasião, oficialmente, a “Proposta de política industrial para o setor de alumínio”, documento elaborado pela Abal com apoio técnico de entidades afins. Ao lançamento seguiram-se debates e apresentações institucionais das empresas a ela associadas no Pará.
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