Preso na terça-feira (2) sob suspeita de chefiar uma quadrilha que praticava crimes de corrupção no Maranhão, o superintendente regional do Incra no Estado, Antônio Cesar Carneiro, foi exonerado do cargo nesta quarta (3). A decisão foi publicada no "Diário Oficial da União" e assinada pelo presidente do órgão, Carlos Mário Guedes de Guedes. A prisão de Carneiro ocorreu durante operação da Polícia Federal que desarticulou uma quadrilha suspeita de agir no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e na Sema (Secretaria Estadual de Ambiente e Recursos Naturais).
Em nota, o Incra diz que a nomeação do servidor, cedido ao governo federal pela administração maranhense, "seguiu todos os trâmites legais para esse tipo de função comissionada, e nada foi apontado que desabonasse a sua conduta e sua consequente condução ao cargo"."No entanto, ante a suspeição da prática de um possível ilícito, a direção nacional do Incra decidiu pela exoneração do servidor da função de Superintendente Regional", diz o comunicado.
Segundo a PF, servidores dos dois órgãos cobravam propina para ajudar empresários em processos administrativos, passavam informações privilegiadas sobre fiscalizações e fraudavam processos ambientais, entre outros crimes. As fraudes atingiriam inclusive áreas de proteção ambiental da Amazônia.
A quadrilha, de acordo com os investigadores, também realizava a chamada "lavagem de madeira", quando o desmatamento ilegal é "regularizado" por meio de fraudes. Carneiro trabalhou na Sema até meados deste ano. Sua defesa afirma que ele é inocente.
"O Cesar Carneiro possui uma larga ficha de serviços prestados ao povo do Maranhão e nenhum tipo de rusga em sua biografia, de mais de duas décadas, como funcionário público", afirmou o advogado Dimas Salustiano. A defesa afirma ainda que a prisão de Carneiro não significa que ele tenha cometido crimes.
"Este tipo de protocolo [prisão temporária] é tomando quando existem mais dúvidas do que certezas. Agora vamos consultar os autos do processo e tomar as melhores medidas. Mas quero reiterar que tenho absoluta confiança na inocência do meu cliente", disse. Ao todo, foram expedidos 21 mandados de prisão temporária, 2 de prisão preventiva, 28 de busca e apreensão e 6 de condução coercitiva -quando o investigado é obrigado a prestar depoimento.A investigação começou em setembro de 2013, após denúncias realizadas pelo próprio Ibama durante o monitoramento do sistema de controle florestal.
(Folhapress)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar