Um dos movimentos que reforça os protestos no Congresso contra a manobra fiscal que o governo tenta aprovar para fechar as contas deste ano, o Revoltados On Line pede contribuições financeiras em sua página na internet para continuidade do que chama de "guerra entre o bem e o mal".
Num post publicado em sua página do Facebook nesta quarta-feira (3), o grupo afirma que não são financiados por ninguém.
"Estamos precisando [de contribuições], não temos ninguém por trás de nós, só temos Deus na nossa frente", disse.
A página na internet tem uma série de críticas ao PT, defendendo cadeia para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para a presidente Dilma Rousseff, críticas ao comunismo e às relações do Brasil com a China, além de citações bíblicas. O grupo também participou de manifestações em São Paulo defendendo o impeachment de Dilma.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que integrantes do movimento fazem parte de uma "organização criminosa de direita".
COXINHA
O pedido de doação foi acompanhado de um vídeo ao lado do cantor Lobão, que também desembarcou em Brasília para engrossar o time dos descontentes com a flexibilização do chamado superavit primário, economia feita pelo governo para pagar juros da dívida.
Lobão passou o dia em Brasília tentando liberar o acesso dos manifestantes ao Congresso. O cantor foi ao STF (Supremo Tribunal Federal), onde ingressou com pedido de habeas corpus para entrada dos manifestantes para acompanhar a votação.
Na liderança do DEM, ele fez um apelo aos congressistas que segurassem a votação do projeto. "Se vocês conseguirem segurar até amanhã [quinta (4)] seria ótimo".
Questionado se passaria a noite no Congresso, o cantor explicou seu destino: "Vou para um hotel. Sou um coxinha", disparou. A gíria é um termo pejorativo para descrever uma pessoa caxias, engomada, conservadora ou burguesa.
O protesto no Congresso reuniu vários movimentos. Uns admitiram ligação com a partidos de oposição, como o PSDB, mas negaram que tenham sido financiado pelos tucanos para a manifestação. Todos carregavam faixas contra o PT e aliados da presidente Dilma Rousseff, mas afirmam que se mobilizaram pelas redes sociais para o protesto contra a mudança na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que permite ao governo não cumprir sua meta fiscal este ano.
"Eu quero lembrar aos senadores que hoje existem redes sociais. Fiz uma corrente na sexta, que teve mais de 700 mil acessos", disse o deputado Izalci (PSDB-DF).
O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) insinuaram que os manifestantes foram pagos pela oposição. Renan disse que foi procurado por Izalci ao longo do dia para ampliar o número de senhas destinadas ao PSDB para os manifestantes acompanharem a votação.
(Folhapress)
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