Uma cena vem se tornando comum, infelizmente, na maioria das grandes cidades do país: o abandono de pessoas, que acabam pedindo esmolas e se drogando pelas ruas. Entretanto, superar as adversidades também faz parte dessas cenas.

A falta de assistência às pessoas que vivem nas ruas é um problema nacional, pincipalmente nas grandes metrópoles. (Foto: Cezar Magalhães/DOL)
Aldemar Bispo de Jesus, 55 anos, de Paracatu (MG), reparador de carros, deficiente físico, viúvo e pai de uma filha, já adulta, vive em Brasília (DF) há 17 anos na casa de uma irmã, que o abrigou.
Segundo ele, deixou sua cidade natal em virtude do seu problema, pois dificultava na hora de encontrar emprego. Devido isso, resolveu partir em busca de algo que pudesse fazer e superar o que chama de "fatalidade da vida".
O mineiro perdeu a perna direita após sofrer um acidente com uma porteira, na fazenda onde trabalhava. “Um dia, sem perceber que a porteira estava com problema, descuidei e ela caiu em cima da minha perna. Sem poder recuperar, perdi parte dela”, relembra com um sorriso, agora sem se importar tanto.
Descontraído, revela que nunca deixou se abater pela deficiência física e que sempre procurou trabalhar honestamente, uma forma de conquistar respeito e dignidade por parte das pessoas.
Atualmente, algumas pessoas o pagam para que lave e vigie seus veículos - o que lhe rende admiração e ajuda dos moradores e trabalhadores do entorno de um shopping e garante algum sustento.

Apesar das dificuldades de locomoção, Aldemar trabalha todos os dias lavando e reparando carros em Brasília (DF). (Foto: Cezar Magalhães/DOL)
Quando o dia está bom, consegue arrecadar cerca de R$ 100. No entanto há também dias de movimento fraco, mas ele não esmorece e continua firme em seu trabalho.
"Eu podia estar usando meu defeito para pedir esmolas, como motivo para conseguir dinheiro, mas isso nunca me passou pela cabeça, não acho justo", conta Aldemar. "Pessoas que dizem ter problemas, às vezes, não tem, e andam por aí pedindo, perturbando as pessoas, se humilhando. Eu nunca pensei assim e, enquanto Deus me der forças, vou continuar por aqui, fazendo o meu trabalho honestamente."
(Cezar Magalhães/DOL)
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