<p>A presidente Dilma Rousseff desistiu na sexta-feira de anunciar mais ministros que farão parte de seu governo. Havia a expectativa de que nessa leva fossem divulgados os cargos que ficariam com petistas, mas a pressão de correntes internas da legenda insatisfeitas com a perda de espaço no Planalto foi um dos motivos que levaram ao adiamento.</p>
<p>A presidente retorna de Salvador (BA), onde descansa na Base Naval de Aratu, na segunda e deverá finalizar as negociações dos últimos nomes da equipe. Ela ainda precisa anunciar quem comandará 22 ministérios a partir de 1º de janeiro e nos últimos dias os nomes definidos para as pastas reservadas ao PT têm gerado tensão entre a presidente Dilma e as correntes do partido ligadas ao ex-presidente Lula, que acha que está tendo um esvaziamento no Planalto.</p>
<p>Na última terça-feira, Dilma passou a maior parte do dia reunida com auxiliares mais próximos discutindo as vagas que ficarão com o PT. Essas conversas se estenderam para a manhã de quarta-feira, antes dela embarcar para a Bahia.<br /> <br /> <strong>PEPE VARGAS</strong></p>
<p>Embora já tenha decidido indicar o atual comandante da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Ricardo Berzoini, para as Comunicações, como queria o partido e era de interesse do próprio ministro, petistas ainda resistem à escolha que Dilma fez para a SRI, pasta responsável pela articulação política do governo: o deputado Pepe Vargas (PT-RS).</p>
<p>Além de considerarem que Pepe não tem perfil para a função, o ex-presidente Lula e a principal corrente petista, a Construindo um Novo Brasil (CNB), estão contrariados com a perda de espaço no Palácio do Planalto. Pepe é da ala interna Democracia Socialista, que atua em conjunto com a segunda maior corrente petista, a Mensagem. Já Berzoini é próximo de Lula e pertence à corrente majoritária do PT, a CNB.</p>
<p>Outra baixa na turma do ex-presidente será a troca de Gilberto Carvalho por Miguel Rossetto na Secretaria-Geral da Presidência. Rossetto também é da Democracia Socialista, mesma corrente de Pepe e pessoa de confiança de Dilma, de quem é próximo desde quando a presidente trabalhava no Rio Grande do Sul. </p>
<p>Ao lado da política econômica, a articulação política é uma das áreas mas sensíveis do governo. A escolha de Pepe para a SRI surpreendeu o PT. Ele é um deputado de pouca expressão política e não é considerado à altura da função por Lula nem por dirigentes petistas. Antes de deixar o MDA percorreu o País distribuindo tratores e caminhões junto com Dilma.</p>
<p>O ex-presidente prevê um cenário difícil para o governo no Congresso no próximo ano, com uma oposição mais aguerrida; uma base aliada pouco fiel; a eventual eleição do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara; e com possíveis turbulências decorrentes do escândalo de corrupção na Petrobras.</p>
<p>(Agência O Globo)</p>
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