Antevendo um cenário econômico difícil para 2015, os novos governadores tomaram posse ontem com um discurso de austeridade e combate ao desperdício de recursos públicos. A perspectiva de frustração de receitas, tanto em arrecadação própria como em repasses federais, levou os gestores a anunciar um ano de cortes, “aperto financeiro” e de ajuste fiscal.
Com perspectiva de perda de cerca de R$ 2 bilhões este ano em recursos dos royalties do petróleo, o governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (PMDB) anunciou cortes em gastos com gratificações e despesas operacionais. No Distrito Federal, onde o rombo é estimado em R$ 3,8 bilhões, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) defendeu um “pacto” para recuperar as finanças. “
Brasília não pode continuar sendo identificada pela corrupção, desmandos, ineficiência da gestão pública”, afirmou Rollemberg.
O governador Pedro Taques (PDT), de Mato Grosso, anunciou a extinção de 2.000 cargos comissionados e prometeu cortar gastos “combatendo a corrupção” e gastando apenas “o necessário”. Já o governador da Bahia, Rui Costa (PT), prometeu melhorar a gestão e economizar recursos para investir. Ele disse não crer em repasses voluntários da União -principal fonte para investimentos- no primeiro semestre.
Em consonância com o principal lema dos protestos de junho de 2013, os governadores prometeram serviços públicos de melhor qualidade e foco em áreas prioritárias como educação, saúde e segurança pública.
Prometendo “medidas duras” para restabelecer o equilíbrio fiscal, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), afirmou que vai cortar os gastos “ruins” e “supérfluos” em sua gestão. Sartori vai baixar um decreto que suspenderá por 180 dias o pagamento de “restos a pagar”, que são despesas assumidas na gestão anterior, do petista Tarso Genro, mas ainda não desembolsadas.
A medida é necessária para para garantir o pagamento dos salários dos servidores nos primeiros meses do mandato, segundo o novo chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi.
Durante a cerimônia, petistas e peemedebistas, tradicionais rivais no Estado, trocaram vaias. Em Pernambuco, o prognóstico de tempos difíceis para a economia também pautou o discurso de posse de Paulo Câmara (PSB). “Tenho consciência da dimensão dos desafios econômicos em que foi lançado o Brasil. Estou disposto a contribuir, no que me couber, para que o país supere o risco de recessão aliada à volta da inflação”, afirmou.
Em sua fala na Assembleia Legislativa, Câmara mencionou reiteradamente o antecessor e mentor político Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em agosto.
(Diário do Pará)
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