A inflação oficial do país, medida pelo IPCA, fechou 2014 em 6,41%, pouco abaixo do teto da meta de 6,5% estipulada pelo governo. Apesar de ficar dentro do limite, trata-se do maior aumento anual desde 2011 (6,5%), pressionado por serviços, alimentos e energia, segundo o IBGE.
O resultado ficou quase em linha com os 6,43% esperados, em média, por analistas.Em dezembro, o IPCA de 0,78% se aproximou também das expectativas de mercado (0,79%). Em novembro, o índice havia sido menor: 0,51%.

Gráfico com os índices de crescimento dos preços que elevaram a inflação no ano passado
PRENÚNCIO
Segundo Elson Teles, economista do Itaú, além da energia, os reajustes de transporte público acima do esperado -especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro- e “uma pressão maior do grupo alimentação no início do ano” vão impulsionar o índice no primeiro mês do ano.“O ano de 2014 é um prenúncio do que será visto em 2015: reajustes mais fortes nos preços administrados”, avalia a consultoria Rosenberg & Associados.
VILÕES
Para Eulina Nunes dos Santos, coordenadora do IBGE, um dos “vilões da inflação” em 2014 foi a seca, com impacto nos alimentos (como carnes, feijão e grãos) e na energia elétrica, cujos preços subiram com os efeitos dos reservatórios baixos e do consequente uso intensivo de térmicas, fonte mais cara de energia.
O desequilíbrio das contas das empresas do setor elétrico, que receberam socorro do governo, também pesou na alta dos preços. Com o aumento nas tarifas de energia, os preços monitorados subiram 5,32% em 2014, ante alta de 1,55% no ano anterior.
Já os serviços avançaram 8,32% em 2014, puxado por alimentação fora de casa, empregado doméstico, aluguel e outros. O índice ficou acima do IPCA, mas pouco abaixo da inflação dos serviços em 2013, de 8,75%.
CUSTO DE VIDA
Índice que mensura o custo de vida de famílias de menor renda e faz parte do cálculo do salário mínimo, o INPC subiu 6,23% em 2014, mais que os 5,56% de 2014.
A taxa, apurada pelo IBGE com famílias que ganham de 1 a 5 mínimos, foi inferior à do IPCA (6,41%).
Ajudaram a segurar o índice e subiram abaixo da média os grupos transportes (3%) e vestuário (3,53%), além da deflação de comunicação (-1,95%).
(Folhapress)
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