Homens de diversas partes do Brasil têm se unido para difundir o bareback, modalidade de sexo sem camisinha cujos adeptos, homossexuais soropositivos ou não, se expõe ou mesmo buscam contrair e transmitir o HIV. O bareback vem ganhando adeptos e até mesmo páginas na internet que disseminam suas ações.
A prática ganhou destaque recentemente, quando um estudante de medicina denunciou a prática em um grupo de discussão sobre questões LGBT no Facebook em janeiro. O jovem de 24 anos, morador do interior de São Paulo, contou que recebeu o alerta de outros médicos e resolveu compartilhar com o máximo de pessoas possível. “O que me motivou a divulgar este absurdo foi saber que adolescentes estão sendo enganados por esses monstros. Eles fazem isso por pura maldade, puro prazer em estragar a vida de pessoas que ainda são novas”, disse em entrevista ao Portal Terra.
De acordo com o universitário, alguns barebackers, como são chamados, utilizam a web para conhecer jovens gays, marcam encontros e usam diferentes técnicas para conseguirem transar sem proteção. Inicialmente, tentam convencer o parceiro de que a camisinha atrapalharia o prazer da relação. Quando a persuasão não funciona, furam os preservativos e fazem com que estourem no momento da penetração.
Muitas dessas dicas foram facilmente encontradas pela reportagem em um blog chamado "Novinho Bareback", que foi excluído, assim que a denúncia começou a circular nas redes sociais. Na página, integrantes de um "clube" autodenominado "Clube do Carimbo" publicavam, além de fotos e vídeos pornográficos, textos repletos de gírias próprias, em que explicavam os procedimentos e incentivavam os praticantes mais antigos a buscarem novos garotos para se unirem a eles.
O bareback
Os primeiros registros da palavra bareback (cujo sentido original indicava o ato de cavalgar em um cavalo sem cela) como prática sexual datam do início dos anos 1980 nos Estados Unidos. Na mesma década, a modalidade começou a chegar a alguns países europeus e também ao Brasil como uma "moda" importada das comunidades gays norte-americanas. Simultaneamente, explodiu o boom da Aids em todo o mundo. Nos anos 1990, ele deixou de ser conhecido apenas em pequenos guetos homossexuais e se tornou mais popular (o que aumentou de vez graças à internet).
O aliciamento sem consentimento de novos jovens, no entanto, não é praticado por todos os barebackers. Muitos deles não aprovam a conduta e somente mantêm relações com outros adeptos da modalidade.
Consentida ou não, a prática de disseminação de doenças sexualmente transmissíveis é considerada criminosa. Segundo o artigo 130 do Código Penal, “expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado” deve resultar em pena de detenção de três meses a um ano. Se a intenção for transmitir a moléstia, passa para um a quatro anos de prisão.
(DOL, com informações do portal Terra)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar