Um grupo de pelo menos doze senadores, tanto da base aliada quanto da oposição, reuniu-se ontem à noite para discutir a crise política e os problemas na economia. O assunto principal foi o ajuste fiscal proposto pela presidente Dilma Rousseff, que encontra resistências no Congresso, inclusive no PT.
A conversa - no apartamento do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), em Brasília - reuniu desde o líder do PT, senador Humberto Costa (PE), até o senador José Serra (PSDB-SP). O ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) também estava presente.
CONTAMINAÇÃO
Participantes da reunião demonstraram preocupação com a contaminação do cenário econômico pela crise política, e com a condução do ajuste fiscal pelo governo.
- Qual é o pacote do Levy? Se forem só essas duas medidas provisórias é muito pobre. Nós podemos contribuir, mas o ajuste tem que ter início, meio e fim. O governo só diz que vai cortar. E vai fazer que colcha? - perguntou Walter Pinheiro (PT-BA), citando o ministro Joaquim Levy (Fazenda).
Serra concordou com o argumento de Pinheiro, segundo senadores presentes. Dissidente no PMDB, o senador Ricardo Ferraço (ES) disse ainda estar tentando entender o “cavalo de pau” dado pelo governo na política econômica neste início do segundo mandato da presidente Dilma.
Ferraço também condicionou seu eventual apoio ao ajuste fiscal à garantia de que, arrumadas as contas do país, o Palácio do Planalto não vai voltar a adotar o modelo anterior, implementado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
- É importante sinalizar que não viveremos esse tipo de experimento de novo. É a história do elefante que leva o escorpião para atravessar o rio. A gente não quer ser inocente útil - afirmou Ferraço no encontro, segundo fontes.
Ministro pede um voto de confiança no governo
Também da ala independente de seu partido, o PP, a senadora Ana Amélia (RS) disse que o governo primeiro precisa reconhecer seus erros, e que a presidente Dilma deve mudar seu modo de fazer política, citando como exemplo o recuo na mudança do indexador das dívidas de estados e municípios.
- Está todo mundo preocupado com a contaminação da economia pela situação política. As expectativas são negativas - disse Ana Amélia.
O MINISTRO
Coube ao ministro Armando Monteiro, ex-senador, pedir um voto de confiança no governo e pregar a necessidade imperiosa do ajuste fiscal.
- Precisamos olhar para a frente - pediu o ministro, de acordo com senadores presentes.
Embora tenha se dito aberto ao diálogo, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) ressaltou, segundo relato de senadores, que continua sendo oposição.
- Não vou propor nada irresponsável, temos que procurar saídas para o Brasil, mas sou oposição.
(Agência O Globo)
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