Um grupo de dez policiais militares armados arrombou a porta e invadiu uma emissora de rádio, na tarde de quinta-feira (26), na periferia de Manaus. O problema é que o endereço da ocorrência policial estava errado. Por volta das 15h30, a rádio comunitária A Voz das Comunidades, na zona norte da capital do Amazonas, seguia com sua programação normal quando subitamente foi tomada por homens da PM, da Rocam (Ronda Ostensiva Cândido Mariano) e do COE (Centro de Operações Especiais), sem autorização judicial.
Armados, entraram gritando no prédio, ordenando que os funcionários deixassem os estúdios. "Chegaram arrombando a porta e gritando, todos com arma na mão apontando pra gente. Disseram que tinha uma denúncia de cárcere privado", conta a produtora Marlucia Fernandes, 44.
Pelo menos 15 pessoas estavam na rádio, incluindo um bebê de cinco meses, além de convidados que participavam do programa ao vivo. Poucos minutos após a invasão, os policiais notaram o equívoco. "Quando viram que era apenas uma rádio, ficaram olhando um para a cara do outro e começaram e pedir desculpas", disse Marlucia. "Então simplesmente viraram as costas e foram embora."
A direção da rádio informou que registrou um Boletim de Ocorrência e foi ouvida pela Corregedoria da PM. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas disse que o caso é de responsabilidade exclusiva da Polícia Militar.
Em nota, a Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança do Amazonas informou que abriu sindicância para apurar a denúncia e a conduta dos militares envolvidos. "Caso seja constatado transgressão policial, os mesmos responderão a procedimento administrativo disciplinar".
Também em nota, a Polícia Militar disse que recebeu denúncia de uma "possível ação de policiais militares que atuaram fora dos procedimentos operacionais padrão de abordagem policial" e que irá apurar o fato. "O comando da instituição não compactua e combate esses tipos de ações vindas de policias militares".
(Folhapress)
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