Uma parceria do Instituto de Física (IF) da USP e o Instituto Adolfo Lutz busca propriedades em fármacos, já existente no mercado, que permitam um novo tratamento para a leishmaniose visceral. O Brasil registra, por ano, quatro mil casos de leishmaniose visceral e 22 mil casos de leishmaniose cutânea. A leishmaniose é uma doença registrada em 98 países.
Ela está na lista da Organização Mundial de Saúde (OMS) como “doença negligenciada”, juntamente com outras conhecidas, principalmente, nos países em desenvolvimento: malária, dengue, doença de Chagas, esquistossomose, tuberculose, hanseníase, entre outras. As doenças negligenciadas são aquelas que não recebem nenhuma atenção da indústria farmacêutica ou do setor privado, no sentido do desenvolvimento de pesquisas para vacinas e para novos medicamentos.
“Estamos trabalhando juntos há mais ou menos um ano, testando drogas que já foram aprovadas para outros fins para ver se serviriam também para tratar a leishmaniose”, diz o professor Leandro Barbosa, do IF. Atualmente, o grupo trabalha com a nitazoxanida, usada para tratar parasitas intestinais e rotavírus.
A prática, conhecida como reposicionamento de fármacos (usar um medicamento já existente no tratamento de uma doença para o qual ele não foi criado), depende da análise físico-química das nanoformulações em que os fármacos testados são transformados.
“Nós encapsulamos o fármaco em lipossomos, membranas constituídas de uma ou mais camadas de lipídeos, e que servem como carregadoras dessas substâncias. Essas formulações têm de ser analisadas para que saibamos como o fármaco interage com os lipídeos que compõem o lipossomo”, explica o pesquisador André Tempone, do Instituto Adolfo Lutz. “É aí que entra o Instituto de Física”.
Barbosa, responsável pela caracterização das nanopartículas no IF, diz que a ideia é caracterizar a organização das moléculas da solução. “O que fazemos aqui no Instituto de Física e também no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, LNLS, em Campinas, é uma caracterização estrutural dos lipossomos na ausência e na presença do fármaco. Assim podemos, de alguma forma, dizer como é a interação do fármaco com os lipossomos. A importância de se usar lipossomos no transporte de drogas está nas diferentes características deste sistema”, explica o físico.
Há duas formas da leishmaniose: a tegumentar (ou cutânea) e a visceral. A tegumentar provoca úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas. Já a leishmaniose visceral ataca os órgãos internos e é fatal em 100% dos casos não tratados. Ambas são transmitidas pelo mosquito-palha (Lutzomyia spp.) que, ao picar, introduz o protozoário Leishmania na circulação do hospedeiro.
(Diário do Pará)
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