Professores da rede pública de ensino de todo o país realizaram uma série de greves em 2015. No Pará, os educadores paralisaram por mais de dois meses, atrasando o calendário letivo. Pensando nisso, um movimento surgido em Belém busca reunir assinaturas para propor a mudança na data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prevista para 25 de outubro, que é a principal porta de entrada de universidades de todo o país.
“Os alunos estão prejudicados. Em alguns lugares, como em São Paulo, a greve só acabou recentemente, às vésperas de julho. Não há possibilidade dos estudantes ministrarem todo o conteúdo da prova até a data”, afirmou o professor Fabrício Alves, um dos responsáveis pelo movimento, entitulado “#MudaENEM”.
“O Enem afirma ser um método igualitário, mas não há como comparar as chances de um estudante de escola particular com a de um de escola pública, que ainda está começando a ver o conteúdo”.
O movimento propõe a mudança da data para dezembro ou final de novembro. “É um período possível, de um mês, mas que permite ao professor passar aos alunos o conteúdo que está faltando”, continuou Fabrício.
O abaixo assinado pede ainda que a prova do Enem deixe de ser aplicada em um fim de semana e passe a ser realizada em dois domingos consecutivos, para ajudar os alunos de religião sabatista, que não podem realizar as provas aos sábados.
“Os sabatistas entram nas salas com todos os alunos, no final da manhã de sábado, e ficam isolados em uma até às 18h, quando só então fazem a prova. Pode ser chamado de sistema igualitário, quando um aluno faz a prova cedo e o outro após ficar seis horas recluso, sob estresse? Há muitos casos de candidatos que passaram mal durante a espera”, conclui o professor.
O movimento, iniciado há dois dias, espera conseguir 200 mil assinaturas para apresentar a proposta ao Governo Federal.
(DOL)
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