Após sobreviver aos quatro tiros que levou na noite da chacina, Wagner dos Santos – irmão de Patrícia de Oliveira – voltou a sofrer atentado em setembro de 1994, com mais quatro tiros. Ele sobreviveu, mas ficou cego de um olho e com várias sequelas. O Ministério Público então o colocou no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. Graças a ele, quatro dos assassinos foram reconhecidos. Hoje o rapaz vive na Suíça.
“Ele foi desqualificado no Tribunal do Júri por ser menino de rua. Foi muito difícil. Hoje em dia melhorou, há Subprocuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público, tem Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, tem vários canais graças à luta do meu irmão e de outros familiares”, disse Patrícia.
Fundadora e coordenadora do Movimento Moleque – Mães pelos Direitos dos Adolescentes no Sistema Socioeducativo, Mônica Cunha perdeu um dos filhos, Rafael, aos 20 anos, morto por um policial em 2006. Para ela, as inúmeras passagens de adolescentes infratores pela polícia devem-se, principalmente, à não implementação das medidas socioeducativas.
“O Estado legaliza a morte dessas crianças. Ninguém nasce bandido, torna-se autor de ato infracional pelas condições de vida, por falta de direitos que o Estado não dá para a família, sem creche, sem casa e sem um trabalho decente”, comentou ela, ao destacar o papel da mídia e da sociedade, que estimulam o consumo para uma maioria empobrecida. (Com informações de Tâmara Freire, da Rádio Nacional)
(Diário do Pará)
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