O Brasil não está livre do racionamento de água e, consequentemente, do de energia. As previsões sobre a escassez de água no mundo e aquecimento global são ainda mais catastróficas para os próximos anos.
O pior é saber que, mesmo faltando água e energia, quem vai pagar a conta final deste déficit é o consumidor. A decisão sobre os custos do déficit de energia elétrica foi anunciada em reunião, na semana passada, entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e representantes do setor de geração e distribuição de energia.
A Aneel apresentou plano que transfere o risco da falta de energia dos geradores para os consumidores finais já em 2017. A decisão ainda não foi divulgada oficialmente pela agência.
Foi noticiada pelo jornal ‘O Estado de São Paulo’ e confirmada pelo presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite.
Segundo ele, haverá uma “contrapartida de redução dos preços na geração” para compensar o custo adicional à população. A proposta transfere para o regime de bandeiras tarifárias o risco das hidrelétricas não conseguirem gerar o total de energia que consta dos seus contratos.
Hoje, a bandeira vermelha já adiciona R$ 5,50 nas contas de luz a cada 100 quilowatt hora (kWh) consumidos em meses com custo maior para gerar eletricidade.
A mudança será um peso a mais a ser carregado pelos consumidores em períodos de estiagem. Em compensação, como os contratos do setor serão repactuados para preços menores, em tempos de regime hidrológico favorável, a conta de luz também poderá ser menor.
VIRADA ENERGÉTICA
Governo e geradoras tentam, de toda forma, solucionar o problema do déficit na geração de energia hidrelétrica, o chamado risco hidrológico. A Aneel já previu que, em agosto, a bandeira tarifária deverá continuar “vermelha” - ou seja, com custo maior para os consumidores.
Difícil é explicar isso ao paraense, que repetidamente escuta a informação de que o Pará será, a partir da operação da hidrelétrica de Belo Monte, o maior gerador de energia elétrica do Brasil. Tudo isso à custa de muito sacrifício, sofrimento e perdas por parte da população.
Poderia haver uma compensação? Sim. O Pará, por exemplo, poderia estar em uma posição de autossustentabilidade na geração de energia alternativa.
Fontes para isso não faltam: vão desde a incidência solar na região Norte até a produção de biomassa ou de biocombustíveis, entre outras renováveis. Mas não existe apoio nem subsídios para que os paraenses possam, por exemplo, comprar seu próprio “kit” de geração de energia solar, cujos custos ainda são muito altos para a população.
No Brasil, a maior quantidade de energia elétrica produzida provém de usinas hidrelétricas (95%). Em regiões rurais e mais distantes, tem-se utilizado energia produzida em usinas termoelétricas e, em pequena escala, a eletricidade gerada pela força dos ventos. Apesar de estudados há muitos anos, os projetos de energia solar no Brasil só começaram a tomar força no início desta década.
O que poucos sabem é que, desde o início dos anos 1990, a Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolve projetos pilotos de fontes alternativas. O Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae) é vinculado ao Instituto Tecnológico e à Faculdade de Engenharia Elétrica da UFPA e iniciou suas atividades em 1994.
TRUNFO AMAZÔNICO
A comunidade científica brasileira não só conhece como compartilha experiências e projetos com o grupo de estudiosos paraenses. É o Gedae que sedia o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia, reconhecido em todo o mundo como centro de referência para sistemas híbridos apropriados para a Amazônia.
Entre os inúmeros projetos implantados, os cientistas paraenses se destacam pela instalação de sistemas fotovoltaicos - onde a energia elétrica é fornecida por painéis solares.
Esses sistemas, que captam energia solar e a convertem em eletricidade, são viáveis principalmente para pequenas instalações, que se adequam bem a regiões remotas ou de difícil acesso, como muitas das comunidades do Pará e da região amazônica.
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(Diário do Pará)
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